sábado, 25 de outubro de 2014

IPANEMA, NO RIO GUAÍBA

UMA VÍTIMA DA POLUIÇÃO





Ipanema, uma beleza de praia no rio/lago Guaíba, 18 quilômetros ao sul de Porto Alegre. está nos trinques.Tem ciclovia, calcadão,  bares, restaurantes. É tranquila, arborizada. Aos fins de semana, porto-alegrenses de todos os bairros curtem a beira do rio, sozinhos, em família, com os cachorrinhos. 
Quem chega de fora certamente vai achar estranho: ninguém entra na água para tomar banho, por mais quente que esteja o dia! 



Até a década de 1960, Ipanema era um balneário. Famílias de classe média de Porto Alegre  tinham lá os seus chalés de madeira, as mais abastados construíam boas casas na avenida à beira do rio,  e nos meses de janeiro e fevereiro fugiam do calor da cidade para se refrescar nas águas rasas e de poucas ondas do Guaíba. Com a construção da autoestrada Porto Alegre-Osório, o litoral ficou acessível, e a orla do rio mudou de perfil.  As casas de veraneio foram vendidas, Ipanema tornou-se um bairro de moradores e cresceu. 
Córregos antes limpos passaram a receber o esgoto de uma população cada vez maior, lançando suas línguas escuras e malcheirosas em vários pontos da praia.  O rio recebe também  resíduos industriais e domésticos de toda região metropolitana. 
Obras de saneamento tem sido feitas nestas cinco décadas, promessas se repetem a cada administração. A última é de que depois de 2016 a praia estará despoluída e os porto-alegrenses poderão voltar a tomar banho nas águas de Ipanema. Tomara...









sexta-feira, 17 de outubro de 2014

ÁGUA PURA E FRESCA

COMO NOS TEMPOS DOS AVÓS




Beber água da torneira não é recomendável - mesmo que seja tratada para se tornar incolor e livre de bactérias, sempre resta aquele gosto desagradável de cloro e outros resíduos de produtos químicos. E nunca se sabe se, ao longo da canalização ou nas caixas d'água, não ficou contaminada.
A água mineral, além de cara, tem como subproduto as embalagens de plástico descartáveis e poluentes. O alerta de que algumas marcas de água engarrafada contém um teor de sódio (sal) superior ao recomendável para a saúde aumentou a procura pelos filtros de purificação, que retém os resíduos, as bactérias e o excesso de cloro. 
Há vários modelos à venda nos supermercados e ferragens, mas os melhores são os simpáticos filtros de barro, como o da foto. Eles conservam a água pura e  fresca mesmo nos dias mais quentes. 
Como nos tempos dos nossos avós.

 

AS ETAPAS DA PURIFICAÇÃO:

1. A água passa por microporos da parede cerâmica da vela localizada na parte superior do filtro
2. Uma camada de prata coloidal reduz bactérias, fungos e outros micro-organismos
3. O carvão ativado da vela reduz odores, sabores e o excesso de cloro da água.

Depois destas três camadas da vela, a água passa para a parte de baixo do filtro, limpa e pronta para ser consumida.   




terça-feira, 14 de outubro de 2014

PAUSA NA LUTA


Abandonados, os cães se unem em matilhas e  vagam pelas ruas em busca de alimento. Esta turma escolheu uma movimentada esquina de Capão da Canoa, no litoral gaúcho, para uma pausa na luta pela sobrevivência. 




sexta-feira, 3 de outubro de 2014

UM CAMELÓDROMO CHIQUE


Durante muitos anos, a rua de duas mãos da foto acima estava tomada por barraquinhas. Era o camelódromo de Torres. Então, o milagre aconteceu: desde julho, as barracas viraram lojinhas dentro de um prédio construído na esquina da mesma rua. Quando estiver totalmente pronto, o camelódromo terá até área de alimentação. Tudo muito chique, na única praia charmosa do litoral gaúcho. 




domingo, 21 de setembro de 2014

O HOTEL GLÓRIA E O RIO




Ir ao Rio de Janeiro era sempre uma alegria, que começava na janela do avião, com a visão dos morros, do mar, das praias. Uma paisagem maravilhosa.
A cidade tinha aquele clima de descontração, de festa. Parecia que todos estavam se divertindo, mesmo os vendedores de biscoito e mate gelado na beira da praia. 
Qualquer programa valia o dia: beber um chope ou um suco natural de pé, num boteco de esquina, ou naqueles bares de Ipanema (alguém conheceu o Bofetada?) e do Leblon,  ir ao teatro, circular pelas butiques da  Pirajá, tomar um chá da tarde na Confeitaria Colombo, apreciar o entardecer no terraço do Hotel Glória, ver a árvore de Natal na Lagoa, ouvir cantos gregorianos no Mosteiro de São Bento, caminhar no calçadão de Copacabana,  subir o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Pedra da Gávea. Ah, e reencontrar os amigos gaúchos.  
Mas veio o primeiro assalto, o segundo, o terceiro... e o encanto se foi. Virei um alvo por ter cara de gringo. 
Há anos não volto lá, e pelo que vejo, as coisas não melhoraram muito, com exceção daqueles períodos como a Copa do Mundo, quando o Exército baixa com tudo e bota ordem no galinheiro.   
O artigo abaixo, escrito por um carioca, resume o meu sentimento em relação ao Rio. É sobre o Hotel Glória, um símbolo da cidade que, como tantas outras coisas, ficou no passado. 



O Rio mereceu Eike


LUIZ FERNANDO VIANNA

RIO DE JANEIRO - Dá raiva passar em frente ao Hotel Glória. Ou ao que era o Hotel Glória. Raiva de Eike Batista, mas não só. Raiva do Rio de Janeiro. Aqueles escombros são o reflexo do que nós, cariocas, deixamos nos tornar.
O Glória foi inaugurado em 1922 com o status de hotel mais luxuoso da América do Sul --o Copacabana Palace surgiria no ano seguinte. Primeiro prédio construído no continente em concreto armado, é um primor de beleza em estilo neoclássico.
Vizinho do Palácio do Catete e do centro da cidade, foi endereço de políticos brasileiros, autoridades internacionais, artistas importantes, celebridades mundanas. Tem uma história.
Em 2008, Eike Batista comprou o Glória por R$ 80 milhões. Queria transformá-lo num hotel seis estrelas. Arrumou dinheiro no BNDES e começou a demolir tudo, preservando apenas a fachada tombada. Arrasou um teatro, os quartos, jogou fora os móveis e quase 90 anos de tradição.
Falido, fechou a porta do cenário apocalíptico, repassou o terreno para um fundo suíço e foi embora ser classe média --após, pai exemplar, repassar sua fortuna aos filhos.
Eike representa o capital especulativo, corrosivo, que não tem compromisso com nada que não seja o ganho imediato, sem respeitar passado ou futuro. É a força da grana que apenas destrói coisas belas.
Recebedor de licenças ambientais e incentivos do Estado, cedia seu jatinho para o governador Sérgio Cabral passear, numa promiscuidade incrivelmente (até para os padrões brasileiros) impune.
Durante seu império efêmero, foi bajulado por toda a servil cidade, incluindo artistas --que iam a ele mendigar patrocínios-- e jornalistas. Era um banqueiro de bicho janota, um agrocoronel poliglota.
O cadáver do Glória indica que o Rio fez por merecer Eike.














domingo, 7 de setembro de 2014

VALLE DEL CHOTA, EQUADOR

UM PEDAÇO DA ÁFRICA NOS ANDES

Em maio de 1972 viajei em companhia do poeta Pedro Port de Otavalo, no Equador, até Tulcán, na fronteira com a Colômbia.   
 No caminho passamos por um vale onde, em vez do frio e da aridez do altiplano, havia calor tropical e plantações de bananas, e café; em vez dos indígenas com seus ponchos e roupas coloridas, negros vestidos com roupas de algodão. 
Um pedaço da África em plena cordilheira dos Andes.
Quatro décadas depois, Pedro descreveu a experiência neste poema:  



VALLE DEL CHOTA

Pedro Port

(Para Clovis Heberle) 

Duas, três, quatro ou sete,
sabe-se lá, não existiam
registros,
digamos: de cinco a dez gerações
de quilombolas
ali sobreviveram.
Consta que foram trazidos
pelos espanhóis no século XVII,
para suprir mão de obra escrava
nas fazendas de café,
ou, segundo variante republicana
difundida na região,
aí chegaram fugidos
das pegas da escravidão;
arando pedra,
sulcando seco e arenoso solo,
é fato que nele plantaram a póvoa.
Resistiram ao sol, ao vale,
ao vento, ao deserto, à estrada,
ao império, à república;
no árido redil
daquela paisagem africana,
em pleno altiplano,
juntavam seus bois,
com aboios e varas delgadas
tangiam os animais
a beber a tênue água
do rio Chota,
às margens do qual,
como plantas tropicais,
entre bananeiras tenazes,
aqui e ali foram brotando,
com suas eiras de café,
as choupanas de sapé.
Fala-se que encontraram 
o lugar perfeito,
o rincão remoto,
quente como África,
para plantar sua semente,
filhos criar,
livres do cativeiro,
longe das vascas da invernia
inóspita da cordilheira.
Chota é bezerro, cria de cabra,
no criol falado do Senegal,
sugere como topônimo
algo totêmico, um locus
de ritos ancestrais,
de devoções sacrificais;
parado no tempo,
mas cortado pela pan-americana,
confunde-se o lugarejo
com a cor polvorenta da terra,
ninguém nele se detém,
pois é ponto de passagem,
e é cansativa a viagem,
um longo percurso sentado,
dorme-se acordado, escuta-se
o tan tan do batuque,
no caminho de Tulcán.




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Pedro Port e o fotógrafo Mário André Coelho de Souza, o Dedeco, foram meus companheiros na maior parte de uma viagem de oito meses pela América do Sul, entre dezembro de 1971 e agosto de 1972.  Por algum tempo moramos em Otavalo, na "Avenida dos Vulcões, numa casa compartilhada com jovens viajantes norte-americanos e de outros países, e tínhamos que ir até a Colômbia para renovar os vistos de permanência  no Equador. 
 As histórias desta aventura estão no blog Uma Banda pelos Andes. O link:

http://umabandapelosandes.blogspot.com.br




domingo, 31 de agosto de 2014

O MONUMENTO A BENTO GONÇALVES, EM RIO GRANDE






O monumento a Bento Gonçalves, na Praça Almirante Tamandaré, em Rio Grande, não é apenas uma estátua fundida em bronze em homenagem ao maior líder da guerra dos Farrapos, esculpida pelo português Teixeira Lopes. Em sua base de pedra, guarnecido por dois leões de bronze,  está o túmulo de Bento.
Inaugurado em 20 de setembro de 1909, o monumento foi construído por iniciativa dos positivistas gaúchos, que após a proclamação da República, em 1889, precisavam de heróis para exaltar os valores republicanos. Maçom, Bento Gonçalves da Silva encarnava como nenhum outro gaúcho os ideais do novo regime. Seu túmulo não poderia continuar anônimo, num lugar ermo, distante de qualquer cidade importante do Estado.
Enterrado em Pedras Brancas, distrito de Guaíba, onde faleceu em 1847, seu corpo foi exumado em 1850 e levado para a estância Cristal,  de propriedade da família, no interior de Camaquã, atualmente município de Cristal. 
Em 1891, o governo da Província publicou  um decreto propondo a doação dos restos mortais do general ao município que erguesse um monumento-túmulo à altura de sua importância histórica. Os jornais da época publicavam editoriais louvando os feitos do intitulado "Napoleão dos Pampas". Por todo o Estado as comunidades foram convocadas a participar do concurso.
O projeto dos riograndinos, liderados por Alfredo Ferreira Rodrigues, foi o vencedor. A intendência de Rio Grande doou três contos de réis para construir a obra. Outros dois contos de réis foram recolhidos em Porto Alegre, Garibaldi, Uruguaiana, Santa Vitória do Palmar, Santa Maria, Cruz Alta, Vacaria, Santo Amaro, São Francisco de Assis, Dom Pedrito, Quaraí, Júlio de Castilhos, Vacaria, Taquara, Santa Cruz, São Borja, Torres, São Sebastião do Caí, Soledade, Bagé e Rosário do Sul. 
Por ironia, Rio Grande, a mais antiga cidade gaúcha, que abriga o túmulo do herói farroupilha, não aderiu à causa dos rebeldes durante os dez anos (1835 a 1845) que durou o movimento separatista contra o Império.




Vencedor e vencido: no túmulo, o fim  da rebelião dos gaúchos contra o Império é representado por dois leões de bronze


Praça Almirante Tamandaré,  na cidade de Rio Grande, uma das maiores e mais belas do Rio Grande do Sul




Retrato de Bento Gonçalves da Silva exposto no 
Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre