Um costume que atravessa décadas: parar uma dessas tendas à beira das estradas do litoral para tomar um caldo de cana ou comprar produtos da região - abóboras de pescoço, cebolas, banana, abacaxi de Terra de Areia ou cachaça marisqueira.
Um costume que atravessa décadas: parar uma dessas tendas à beira das estradas do litoral para tomar um caldo de cana ou comprar produtos da região - abóboras de pescoço, cebolas, banana, abacaxi de Terra de Areia ou cachaça marisqueira.
Pouco se sabe desta cachorrinha de aproximadamente nove anos de idade, resgatada da inundação na região metropolitana de Porto Alegre no dia 25 de julho de 2024, doente e traumatizada.
Adotada pela jornalista Maria Luíza Borges, a Malu, ganhou um nome - Ruby - e uma vida nova. Tratada, alimentada, renasceu para uma vida de carinho e cuidados.
Recém chegado do interior, em janeiro de 1965 tive a oportunidade de trabalhar, com 14 quase 15 anos de idade, na empresa do meu tio Ivo Weiler, a Pampa - Exportadora e Importadora, com sede na avenida Voluntários da Pátria. Cobriria as férias do auxiliar - na época office boy - para fazer, por um mês, os serviços bancários da empresa, das 13 às 18h.
Tudo era novidade: os papéis, a burocracia bancária, os elevadores, o ar condicionado. Ia de banco em banco: do Brasil, da Província, Nacional do Comércio, Sulbanco. Quando a maratona acabava eu bebia uma Coca Cola num bar da Coronel Vicente e ia prestar contas para a secretária do tio, uma senhora amável natural de Bagé.
Ganhei um salário mínimo, e comprei um violão. Com meu dinheiro!
Mais do que um trabalho, foi um aprendizado para a vida.
Valeu, tio Ivo.
Truman Capote, escritor consagrado, foi um repórter-raiz. Leu uma nota no New York Times sobre uma família de fazendeiros assassinada por dois rapazes que procuravam dinheiro e objetos de valor, resolveu ir atrás do assunto e depois de seis anos de trabalho escreveu A Sangue Frio, de leitura obrigatória para quem quer ser ou é jornalista.
"Os Cães Ladram" - referência ao provérbio árabe "Os cães ladram e a caravana passa"- é uma preciosidade para quem aprecia reportagens e boas entrevistas, coisa cada vez mais rara hoje em dia. Só o relato que ele fez, repleto de informações, detalhes e curiosidades, sobre a turnê do elenco da ópera Porgy and Bess, imortalizada pela música Summertime, na União Soviética, vale o livro.
Em dezembro de 1955, depois de uma longa negociação com o Ministério da Cultura da URSS, que pagou todas as despesas, o elenco de 94 atores, músicos, técnicos, diretores e seus familiares saiu de Berlim Ocidental para numa viagem através da cortina de ferro. Era a primeira vez que os russos veriam um espetáculo de norte-americanos. Stalin havia morrido pouco mais de dois anos atrás, e os novos dirigentes, liderados por Nikita Krutschev, queriam demonstrar boa vontade para com os seus então inimigos. Havia outra razão para este gesto: mostrar aos russos que nos Estados Unidos os negros eram explorados, humilhados, discriminados.
As apresentações, em São Petersburgo e Moscou, lotaram os teatros e foram notícia no mundo todo.
O livro tem mais, muito mais. Capote fez uma longa entrevista com Marlon Brando, descreveu suas temporadas no Marrocos, na Grécia, na Sicília e outros lugares exóticos. Contou como foi sua infância- imaginem que ele contracenou, ainda criança, com Louis Armstrong, sapateando enquanto ele cantava e tocava trumpete, nos barcos do rio Mississipi.
E tem muito mais.