sábado, 13 de agosto de 2022

ABDUZIDOS POR ALIENÍGENAS

 Nos fins de semana, a cidade de Aparecida, em São Paulo, fervilha. São milhares de romeiros, que lotam o santuário  em busca das bênçãos da padroeira do Brasil. Em outubro, na festa celebrada no dia 12, este número se multiplica. Os hotéis lotam, as lojas enchem, as ruas ficam congestionadas.

Em 21 outubro de 2012, Delmar Winck, um romeiro que viera com sua esposa Beatriz de Portão, Rio Grande Do Sul, entrou numa loja para comprar uma lembrancinha, e Beatriz ficou esperando do lado de fora. Quando voltou. minutos depois, ela havia sumido. Ela tinha 77 anos, e nestes dez anos todas as buscas feitas pela polícia deram em nada. 

Há quase dois meses, no dia 16 de junho, a advogada Alessandra Delatorre, de 29 anos anos, saiu da casa de seus pais, em São Leopoldo, para dar uma caminhada. Vestia abrigo esportivo e não levava celular nem documentos. Entrou numa trilha na mata do bairro e sumiu sem deixar qualquer vestígio. A imprensa parece ter esquecido o caso, que vai para as estatísticas de tantos outros casos semelhantes. 

Como pode alguém sumir, quando hoje em dia tudo é filmado e os celulares registram todas as movimentações, contatos, conversas  e outros dados de cada um de nós? 

Os ufólogos têm uma explicação: foram abduzidos por alienígenas. Quem sabe???

Mas um bom repórter de polícia poderia esclarecer. Ou, pelo menos, fazer uma boa reportagem.


 



terça-feira, 9 de agosto de 2022

POBRE/RICA ARGENTINA

 


E lá se vão os brasileiros, de novo, aproveitar mais uma crise econômica/cambial para fazer turismo na Argentina. Tudo barato, baratíssimo, com o peso desvalorizado. Até o real é recebido com avidez pelos comerciantes, apavorados com a inflação nas alturas.
A mim este apelo não funciona. Me dá uma enorme tristeza ver um país com tantas riquezas naturais e um povo com um nível cultural e educacional tão alto para os padrões de terceiro mundo chegar a uma situação destas.
E por mais que me expliquem, não consigo entender por que.
A foto do repórter fotográfico Valdir Friolin, vencedora do Prêmio ARI de fotografia da Associação Rio-grandense de Imprensa, de 2001, diz tudo.


domingo, 31 de julho de 2022

CARLOS BASTOS, 88 ANOS

 


O homenageado era o Bastos, mas acabou sendo um dia de afagos de todos nós que fomos seus subordinados e colegas na RBSTV e outras redações.

Carlos Henrique Esquivel Bastos é um case para os profissionais de RH: na comemoração dos seus 88 anos de uma vida muito bem vivida, no salão nobre da Associação Rio-grandense de Imprensa, só recebeu palavras de carinho, de gratidão, de afeto, daqueles que trabalharam com ele.
E nós, então: eram abraços, eram apertos de mão, risadas, e aquilo que os jornalistas tanto gostam - contar e ouvir histórias.












terça-feira, 19 de julho de 2022

AH, UMA SOPINHA

No inverno - e até nas outras estações - tomar uma sopinha à noite é tudo de bom. Aquece o corpo, aquece a alma. De legumes, canja, todas caem muito bem, ainda mais com uma taça de vinho tinto.

Numa dessas viagens a convite para jornalistas, fomos conhecer o Poble Espanyol, em Barcelona. Construído para a Exposição Universal de 1929, é uma reprodução em tamanho real de diferentes aldeias espanholas, com lojas, bares, restaurantes e espaços para apresentações de artistas. Uma Espanha em miniatura, para turistas.

Depois de percorrermos o lugar, fomos levados a um restaurante para jantar. O cardápio era adequado ao espírito do poble. Os pratos, um de cada região do país, foram se sucedendo, mas como quase todas as comidas típicas, eram um tanto indigestas. Lá pelas tantas serviram uma sopinha. "Uau", exclamamos em voz baixíssima para não ofender os anfitriões.

Nossos estômagos reclamavam algo fácil de digerir, mas na primeira colherada, a desilusão: era gaspacho, uma sopa típica espanhola à base de creme de tomate, pimentão e vegetais, que no verão é servida gelada. Sim, gelada.
Voltamos para o hotel e pedimos café com leite e torradas. 









sexta-feira, 15 de julho de 2022

TODA ARARUTA TEM SEU DIA DE MINGAU

 O Souza é daqueles taxistas que gostam de papear com os passageiros. Ouvir suas histórias, e, principalmente, contar as dele. 

Quando me levava para o trabalho, falava das pescarias, dos negócios, de futebol - nos fins de semana, jogava no time do bairro. Centroavante, sua paixão era mandar a bola na rede. 

Souza se gabava de ser um sedutor irresistível. Casadas, jovens, viúvas desfrutáveis, nenhuma resistia aos seus encantos. Até que...se apaixonou. Deixou a mulher com quem vivia há anos e tinha filhos para se juntar com uma morena bem mais nova do que ele. 

Reencontrei o Souza quase dez depois da nossa última conversa, numa corrida até o centro da cidade. Grisalho, rosto vincado, já não era o mesmo. Não pescava mais, nada de farras,  ia direto do trabalho para casa. "E o futebol?" perguntei.

- O pessoal me convida, mas já não jogo mais. O pior é que nem na tevê posso ver os meus joguinhos. Quem fica com o controle é ela.

Como diz aquele samba de Noel Rosa, "toda araruta tem seu dia de mingau".

quinta-feira, 7 de julho de 2022

JOGANDO VÔLEI COM A ESTERZINHA

 "Alguém topa jogar vôlei uma vez por semana?"

A mensagem chegou à tarde no grupo da redação de Zero Hora, e pouco depois já havia interessados suficientes para formar dois times. Na quarta-feira seguinte, às nove da noite, a turma saiu do prédio e atravessou a avenida Ipiranga para jogar na quadra do Colégio Protásio Alves.
Uma dúzia de marmanjos e ... a Esterzinha, uma das digitadoras. Naquele tempo ainda havia digitadores, pois no início dos anos 90 muito material era ainda datilografado. Até de alguns cronistas, que se recusaram a se adaptar à digitalização da redação e entregavam as crônicas em papel.
Morena, jovem, alta, bonita, a Esterzinha participava de todos os jogos, e depois nos acompanhava até o bar do Emílio Pedroso , fotógrafo do jornal, lá no alto do viaduto da Borges de Medeiros, para onde íamos depois matar a sede.
A turma do vôlei interessou a colegas de outras áreas, e em pouco tempo já havia gente suficiente para formar três times.
Mas um dia desses a Esterzinha sumiu. Ouvi dizer que os digitadores já não eram necessários e foram demitidos. E o interesse pelo vôlei diminuiu, até que as disputas das quartas-feiras acabaram.
Chego a pensar que a galera estava mais interessada na moça que em jogar.

domingo, 19 de junho de 2022

JOHN REED, UM GRINGO NO MÉXICO REBELDE

 






John Reed  era um dos repórteres mais conhecidos e bem pagos dos Estados Unidos quando, em 1913,  foi contratado pela revista Metropolitan e pelo jornal New York World para viajar ao México e fazer uma série de reportagens sobre a rebelião que eclodira três anos antes. 
Natural de Portland, Oregon, Reed não se conformava com a vida monótona da cidade e foi estudar na Universidade de Harvard. Depois de formado dedicou-se ao jornalismo, movido pela sua inquietação, a sede de buscar coisas novas e o inconformismo com as injustiças sociais. Sua pauta era encontrar Pancho Villa e acompanhar a marcha em direção ao sul, iniciada pouco antes pelo já lendário caudilho. 
John Reed teve que se adaptar a uma vida cheia de sobressaltos, acompanhando tropas formadas por peões maltrapilhos e quase sempre famintos, se alimentando de tortillas e carne às vezes crua quando não havia tempo de assá-la. Muitas vezes correu risco de vida, nos confrontos entre os rebeldes e o exército federal.
Conseguiu encontrar Villa, conquistou a sua confiança, fez várias entrevistas com ele e documentou a tomada de várias cidades  a caminho da Cidade do México. O livro México Insurgente, publicado em 1914, é um relato comovente do contato deste gringo do oeste americano com os costumes, a cultura  e o temperamento dos mexicanos, que mesmo nas horas mais difíceis e desesperadoras encontravam  motivos para cantar, amar, beber e fazer gracejos das suas próprias desgraças.