sexta-feira, 14 de junho de 2019

REFLEXOS



São Paulo



quinta-feira, 13 de junho de 2019

terça-feira, 11 de junho de 2019

O PIANO IMAGINÁRIO





Desde sempre eu curti música, mesmo estando em silêncio. Bebê, eu me agitava, batia bracinhos e perninhas, quando o rádio tocava certas músicas de que eu gostava. 
Sempre tem alguma música na minha cachola - Bach, Mozart, Chico Buarque, Beatles, Stones. Às vezes tenho que fazer um esforço para trocar de música. Aparece até uma velha canção alemã, perdida lá no fundo da memória, da qual só me lembro o refrão: " So schoen, schoen war die zeit" - tão lindo, lindo era aquele tempo.
O ouvido musical já me fez pagar um baita mico. Eu tinha uns sete, oito anos, quando uma vizinha veio contar para a minha mãe que vira o filho dela tocando um piano imaginário, caminhando na volta da escola. 
Na época passei vergonha. Hoje, agradeço por esta dádiva. 
Como dizia Artur da Távola, "música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão".


Foto: o piano de Liane Leipnitz

sábado, 1 de junho de 2019

SOY LOCO POR TI, GDA





Miami, capital da América Latina


Muitos brasileiros - inclusive jornalistas - desconhecem e até desprezam os países da América Latina. As informações que nos chegam são produzidas com o enfoque das agências de notícias e redes de televisão  norte-americanas e europeias,  para quem o hemisfério sul só é notícia se acontece alguma catástrofe, golpe militar ou algo grotesco.
Para furar este bloqueio,  defender interesses comuns e captar publicidade foi criado em 1991 o GDA - Grupo de Diarios America -, uma associação de jornais latino-americanos cujos primeiros membros foram o La Nación, da Argentina, o El Mercurio, do Chile, e O Globo, do Brasil. Outros jornais de prestígio, do México, da Costa Rica, do Equador, da Colômbia, da Venezuela, do Peru e do  Uruguai,  passaram a participar do grupo, entre eles Zero Hora, de Porto Alegre. Por uma questão de logística a cidade escolhida para sede foi Miami, nos Estados Unidos.
Os jornais passaram a trocar informações, reportagens e fotos que não eram distribuídas pelas agências de notícias americanas e europeias. Um editor, baseado em Miami,  foi contratado para coordenar o trabalho de garimpar assuntos, fazer contatos e distribuir o material  produzido pelos diários. 
Os jornalistas indicados pelos seus diários para representá-los se reúnem periodicamente em Miami ou numa das cidades onde os jornais são publicados  para a troca de ideias e a produção de pautas conjuntas.  Zero Hora participou do grupo de 1999 a 2003, e nesses cinco anos fui o editor do GDA. 
Apaixonado pela América Latina, participei com entusiasmo das reuniões, que duravam dois dias.
Nesse período, Zero Hora publicou muitas matérias do grupo, principalmente de economia, coberturas de assuntos ignorados pelas agências de notícias e cadernos de turismo. 
Mas o que me dava mais prazer era sair para jantar com os  colegas, alguns dos quais se tornaram meus amigos. Comíamos, bebíamos e, mais do que tudo, falávamos sobre o que estava acontecendo nos nossos países. 
Foi um dos maiores, e o mais prazeroso desafio que enfrentei em minha carreira.




 GDA: o prazer de um bom papo. No fundo, à esquerda, a editora Lyng-Hou Ramirez Hung, uma das mais talentosas jornalistas com quem trabalhei. 


sábado, 25 de maio de 2019

OUTONO



quinta-feira, 23 de maio de 2019

VISCONDE DE MAUÁ







Lá nos anos 70/80, Visconde de Mauá entrou no circuito dos lugares mais "transados" do país, assim com Búzios (RJ) e o Arraial d'Ajuda (BA).
No alto da Serra da Mantiqueira, junto ao Parque Nacional de Itatiaia, nas divisas de SP, RJ e MG, Mauá teve no psicanalista Roberto Freire, autor do livro "Ame e dê Vexame", seu maior divulgador.
E lá fomos nós. Saímos do Rio, desembarcamos em Resende e lá tomamos um busão com muitíssimos quilômetros rodados para subir a serra, numa estradinha de chão batido. No meio do caminho, uma parada num bar/alambique, onde quase todos os passageiros beberam uma pinga, purinha. Era inverno, e fazia frio.
No dia seguinte, caminhada montanha acima. Em Maromba, o último lugarejo, junto à famosa cascata do Escorrega, surpresa: o bar Breton, com poesias e textos do poeta e filósofo surrealista francês André Breton nas paredes. No cardápio, uma cerveja chamada Black Princess.
Hoje a cerveja, fabricada em Teresópolis, já pode ser comprada nos supermercados do RS. É muito boa.
Mas para quem curtiu Mauá naquela época tem um sabor especial.

terça-feira, 21 de maio de 2019

E O SEU HERMES COMPROU UMA ARMA


Dono da farmácia Petrópolis, o seu Hermes era o farmacêutico, o enfermeiro e o médico do bairro. Pessoa boníssima, sabia qual o remédio mais indicado, aplicava injeções, dava conselhos. 
Um dia, assaltaram a sua farmácia, na esquina da avenida Protásio Alves com a rua Santos Neto. Depois, assaltaram de novo. E novamente. 
Aí Hermes Toledo, um homem calmo, a vida resolvida - a mulher tinha um salão de beleza, o filho cursava faculdade - decidiu comprar um revólver. Fez curso de tiro, registrou a arma, colocou na gaveta. Quando os assaltantes chegaram, ele atirou. Um deles foi levado para o Pronto Socorro, onde morreu. Além da pistola que que tinha na mão, havia outra,na bota.
Os dois comparsas fugiram, mas dias depois voltaram, com outros companheiros, para dar o recado: "nós vamos te apagar". Desciam do ônibus, atravessavam a rua, chegavam na porta, faziam ameaças e sumiam. Além disso, respondeu a processo por assassinato.
O seu Hermes perdeu a calma, a paz. Passou a sofrer de insônia, depressão, se tornou um homem nervoso, paranoico. Em meio ano, sua vida estável e tranquila acabou. Fechou a farmácia, foi internado em clínica psiquiátrica.
Apareceu um câncer, e ele acabou morrendo. 
Nos meus tempos de repórter de polícia na sucursal do jornal O Globo entrevistei o então chefe de Polícia, delegado Frederico Eduardo Sobbé, sobre a questão do porte de armas. O que ele me disse ficou gravado na minha memória. "Os assaltantes não têm nada a perder, e em geral estão drogados. Mesmo que você saiba atirar, sempre vais vacilar antes de tirar a vida de alguém. Eles, não."