domingo, 20 de janeiro de 2019

O PERIGO AMARELO

Ao inaugurar sua ferragem, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, Sérgio dizia aos seus clientes que ali não seriam vendidas "porcarias chinesas". Alguns meses depois ele teria que engolir as suas palavras. Lâmpadas, ferramentas, aparelhos eletrônicos, quase tudo era Made in China.
Realizou-se, no século 21, o que os teóricos norte-americanos da época da Guerra Fria tanto temiam, e que chamavam de "Perigo Amarelo". Só que os chineses não estão conquistando o mundo pela ideologia nem pela força das armas, e sim pelo poder econômico e, principalmente, pela tecnologia.
Assim como nos séculos 19 e 20 a grande maioria das invenções saía das pranchetas e laboratórios da Europa e dos Estados Unidos, neste quase tudo é criado na China. Nossas casas estão cheias de inventos chineses, das lâmpadas led aos split. Marcas como a Midea e a Huawei vão se incorporando ao nosso dia-a-dia, e até os carros, antes vistos com desconfiança, já são aceitos. Eletrodomésticos brasileiros tradicionais como Brastemp e Cônsul têm olhinhos puxados e falam mandarim, absorvidas pela gigantesca Whirpool.
A criatividade dos chineses é espantosa. Há poucos anos, só os ricos ou de classe média alta podiam ter piscinas. O custo da instalação e da manutenção era altíssimo. Agora não: um pacote que pode ser carregado debaixo do braço contém tudo que é necessário para realizar o sonho da família. Basta escolher o tamanho e levar para casa o kit completo, que inclui o filtro de água adequado. A preços módicos.
A borda de ar ,como um balão circular, sustenta a estrutura de plástico, sem a necessidade de suportes de metal ou madeira. Depois é só encher de água e aproveitar enquanto faz calor. No fim da temporada, a "piscina" pode ser esvaziada e guardada até o próximo verão.
Genialmente simples.
Coisa de chinês.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

CENA GAUDÉRIA








terça-feira, 8 de janeiro de 2019

MINHA PRAIA TEM PALMEIRAS



Plantadas em floreiras, em conjunto com bancos, as palmeiras adornam o calçadão da praia do Imbé/RS.


SANTOS REIS




      Seis de janeiro, dia dos Santos Reis
Os reis magos são personagens citados somente por Mateus (2,1-12). Visitam o menino Jesus, trazendo para eles presentes: ouro, incenso e mirra. O evangelista não diz quem são e nem o número, mas a tradição diz que eram três e deu a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar. 
Os reis seriam irmãos: Melquior reinava sobre os persas; Baltasar era rei dos indianos e Gaspar dos árabes.

abiblia.org


domingo, 23 de dezembro de 2018

MORRO DO FERRABRÁS





Sabe aquele domingo de sol em que você está em Porto Alegre e não sabe onde ir?
Foi num domingo desses que conheci o Morro do Ferrabrás, em Sapiranga. Fica perto, apenas 60 quilômetros, e o visual lá de cima, a 779 metros de altura, é lindíssimo.
Todo morro é preservado, e se pode passar uma tarde junto à natureza, vendo a moçada da região saltar de paraglider e asa delta.
Só tem duas coisas: a estrada até o alto do morro é de chão batido. Ou se sobe a pé ou num carro razoável. E lá em cima não tem bar, nem quiosque, nem banheiro (fique à vontade para usar uma árvore...).
Antes de se tornar conhecido pela sua rampa de vôo livre, na década de 70, o Ferrabrás era citado apenas nos livros de história. Foi lá que viviam os Mucker (falsos religiosos, em alemão), comunidade de filhos e netos de imigrantes alemães. Eles acreditavam que Jacobina Metz Maurer tinha poderes mediúnicos para curar, e seu marido João Jorge Maurer se tornou um líder religioso.
Os mucker acabaram se isolando dos demais colonos, com sua religião própria. Rejeitaram até o ensino oficial, encarregando-se eles próprios da educação dos filhos.
Hostilizados, reagiram às tentativas de prisão de seus líderes e depois de um ano de escaramuças com as forças policiais, entre 1873 e 1874, acabaram todos mortos - entre eles João e Jacobina) - ou presos. Oficialmente viviam no Ferrabrás 274 mucker, mas o total de seguidores chegou a quase mil.
Houve baixas também entre os militares. A mais importante delas foi Genuíno Sampaio, o coronel Genuíno,que virou nome de uma rua do centro de Porto Alegre.





Esta foto é do site da prefeitura municipal de Sapiranga

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

UMA RUA EM PORTO ALEGRE



Rua Caçapava, em frente à praça Almirante Tamandaré, bairro Petrópolis. 
Sombra de paineiras.  Perto de tudo - supermercado, restaurantes, barbearias, estéticas, ferragens, fruteiras, bancos.


Prédios baixos, a maioria  dos anos 1950


Na praça, lazer, descanso e um campo de futebol


sábado, 15 de dezembro de 2018

O ÚLTIMO VOO DA TRANSBRASIL






Havia algo diferente no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, naquela tarde de 3 de dezembro de 2001 quando fui até o balcão da Transbrasil para fazer o check in. A fila era grande, e quando chegou a minha vez um funcionário constrangido explicou que os computadores da empresa haviam sido desligados. Recebi um cartão de embarque preenchido à mão.
O voo até o Rio de Janeiro foi normal, com exceção do serviço de bordo, que não apareceu - naquela época eram servidos almoços, jantares e lanches, mesmo nas rotas domésticas.
No dia seguinte fui marcar o voo de volta, na loja de Ipanema. Estava fechada. Por falta de combustível ( e de dinheiro ou crédito para comprar) nenhum avião da Transbrasil decolou. 
Foi o fim de uma das mais simpáticas e arrojadas empresas aéreas do país.







Em 1955, Attilio Fontana, gaúcho de Santa Maria que se mudou para Concórdia e lá comprou um frigorífico que denominou de Sadia, arrendou um avião DC3 para transportar seus produtos para São Paulo. Seu filho Omar sugeriu ao pai criar a sua própria empresa, e assim surgiu a Sadia Transportes Aéreos. Em 16 de março de 1956 o único avião da empresa, um DC3 , decolou de São Paulo para sua primeira viagem. 
Omar, entusiasta da aviação, foi nomeado presidente e desde então se dedicou completamente à empresa. Com as péssimas estradas da época, levar os produtos de avião se revelou um excelente negócio. Logo outros dois DC3, heróis da Segunda Guerra Mundial, foram incorporados à frota, e também um Curtiss. 
Transportar passageiros foi uma evolução lógica, e um ano depois a Sadia já ligava Concórdia e demais cidades do oeste catarinense onde houvesse um campo de pouso - Joaçaba, Chpecó, Videira - a Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo.




O transporte de passageiros exigia aviões mais modernos, rápidos e confortáveis. Aviões Dart Herald, turboélices, passaram a operar nas rotas regionais, e os BAC One Eleven, de duas turbinas na traseira, as capitais.  Em 1972 a marca Sadia, conhecida pelos derivados de aves e porcos, foi mudada para Transbrasil, e a sede da empresa mudada para Brasília. 



Para marcar a nova fase da empresa, os aviões Boeing 727, apelidados de Jatões, receberam  pinturas de cores fortes, muito diferentes dos aviões das concorrentes Varig, Cruzeiro e Vasp, que mantinham o design tradicional de branco e azul. A Transbrasil  cresceu rapidamente e se tornou símbolo de empresa moderna, simpática. 
Era a primeira a comprar ou arrendar os novos modelos de aviões da Boeing. Com o pulso firme de seu presidente, ampliou a sua malha no Brasil e conseguiu a concessão de rotas internacionais - Miami, Nova York, Washington, Viena, Buenos Aires.
Com as sucessivas crises econômicas do pais, a empresa perdeu o fôlego financeiro. Começou a devolver aeronaves arrendadas, cancela encomendas. 
Omar Fontana morreu em dezembro de 2000, de câncer de próstata, em São Paulo, um ano antes do último vôo de seus aviões.