sexta-feira, 15 de novembro de 2019

IMBÉ APRISIONADO





Ao planejar Imbé, em 1939, o engenheiro Ubatuba de Farias se preocupou com a direção dos ventos, a insolação das casas e outras características desta faixa de areia limitada pelo mar, de um lado, e pelas lagoas e o rio Tramandaí.
Agora, 80 anos depois, um novo Plano Diretor que permite a construção de edifícios mudará radicalmente esta concepção.
Observem a projeção gráfica deste novo Imbé. Onde até agora os ventos circulavam livremente haverá uma barreira de concreto.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

GUARDIÕES DO IMBÉ



Advogados, juristas, engenheiros, professores, funcionários públicos. Jovens, de meia idade ou aposentados, eles têm em comum a causa da defesa da praia do Imbé, no litoral norte do Rio Grande do Sul, da ação predadora dos administradores públicos e especuladores imobiliários.
Estão organizados desde 1986 na Associação Comunitária do Imbé - Braço Morto. Durante o verão se reúnem informalmente todas as semanas para tomar cafezinho e trocar idéias, e pelo menos uma vez na temporada são convocadas Assembleias Gerais, com a participação de associados e veranistas. No inverno se comunicam pela internet e em encontros em Porto Alegre ou no Imbé.
As vitórias que a associação já obteve são notáveis. Ainda em 1986 conseguiu barrar a construção de molhes da barra do rio Tramandaí, depois de comprovado que a obra causaria a invasão da parte norte da praia pelas águas do mar. Outra luta judicial, seguida de vitória, foi o embargo da retirada das dunas para a construção de um calçadão na beira mar. O prefeito da época teve que mudar o projeto, respeitando as dunas.
A associação também recorreu à Justiça para demolir um estaleiro particular, construído irregularmente, com a complacência da prefeitura, na margem do rio Tramandaí. Agora, a luta é para impedir que a prefeitura e a Câmara de Vereadores prossigam nos seus propósitos de liberar a construção de edifícios,  deformando o projeto urbanístico que concebeu o Imbé como Cidade-Jardim,  de residências unifamiliares. Um desafio formidável. Mas ninguém espere que estes guardiões do interesse público desistam.





Noite de 8 de novembro de 2019:  a população do Imbé, convocada pela associação, lota o auditório da Escola de Música do município para discutir o Plano Diretor com secretários da prefeitura. 
Na primeira fila, o presidente, pastor Ronaldo Lindemann (quarto da esquerda para a direita)




quarta-feira, 6 de novembro de 2019

IMBÉ ENCARA O SEU FUTURO


A Câmara de Vereadores de Imbé deve aprovar, até o fim deste ano, mudanças no Plano Diretor que, em resumo, liberam o município para os interesses das construtoras e dos especuladores. Planejado para ser um balneário de residências, com respeito à natureza, agora a paisagem já é manchada por um espigão de 15 andares, e há pelo menos mais um a ser construído, justamente na área mais valorizada da cidade.
E isto acontece - vejam que ironia - no final do segundo mandato do melhor prefeito que Imbé já teve. Na gestão de Pierre Emerim, a cidade ganhou escolas novas, a estrutura médico-hospitalar teve grandes investimentos - uma policlínica está quase pronta -, as ruas são constantemente pavimentadas e limpas, há segurança com guarda municipal e cercamento eletrônico. 
Para que edifícios e a ocupação das margens das lagoas por condomínios de luxo?
Uma das poucas vozes dissonantes deste conceito de "progresso a qualquer custo", que tanto danos causou a balneários como Tramandaí e Capão da Canoa,  é a Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto. A mais antiga do litoral - foi criada em 1985,  antes da emancipação -  luta, sem qualquer interesse que não seja o público, contra a falta de visão de sucessivos prefeitos. Coleciona várias vitórias, como a preservação das dunas, mas agora enfrenta o seu desafio mais importante. 
A associação está convocando moradores e veranistas do Imbé e participar de uma audiência públicas, marcadas para o dia 19 de novembro, às 19 horas, no salão da Escola de Música Guaracyra Ramos Kramer, na avenida Nilza Godóy, antiga Beira Rio, para a discussão do Plano Diretor. 
A convocação é um documento valioso, elaborado com o apoio de técnicos e cientistas consultados pela associação. Deve ser lido e analisado  pela sua importância e argumentos lógicos e científicos em favor do equilíbrio ecológico e o respeito às leis e os direitos dos cidadãos. 


NOVO PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE IMBÉ

VOCÊ SABE O QUE PODE MUDAR NA CIDADE COM AS ALTERAÇÕES
PROPOSTAS?

Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto

Os vereadores do Município de Imbé estão prestes a aprovar, ainda em dezembro de
2019, um Plano Diretor que pode trazer diversos prejuízos ao bem-estar humano e ao
meio ambiente da nossa cidade. Este Plano Diretor, prevê entre outras coisas, a
construção de edificações de até 15 pavimentos em grande parte da nossa cidade. Por
exemplo, desde a Av. Nilza Godoy até a Av.Beira Mar (na Barra) e na Av. Tramandaí
desde a Ponte Giuseppe Garibaldi até a Rua Sapiranga. Em outras regiões prevê a
construção de edifícios de 4, 8 e 12 (ver figura 1). Uma questão preocupante é que esses
limites foram estipulados sem nenhum estudo prévio de como isso irá impactar a cidade.
O Plano Diretor também não prevê qualquer diretriz que incentive a construção de
edifícios que utilizem medidas que minimizem seu impacto ambiental (por exemplo
utilizando a arquitetura sustentável ou arquitetura verde). Caso seja aprovado, estima-se
que a densidade populacional de Imbé pode chegar a ser maior do que a do Bairro de
Copacabana no Rio de Janeiro. Com isso, a mobilidade urbana poderia ficar seriamente
comprometida (e.g. engarrafamentos, problemas para estacionar, etc..), bem como a
segurança da população (ex.: em caso de subida do nível do mar e lagoas, que em
momentos pretéritos inundaram a Av. Rio Grande, por exemplo). Além disso, outra
proposta que está sendo discutida é a substituição de aproximadamente 35% área rural
do município para área de expansão urbana, o que significaria que essa área poderia
eventualmente ser transformada em área urbana. Tal decisão é fomentada
pelo desejo de permitir a construção de condomínios horizontais que possam alcançar as
margens do Rio Tramandaí. Preocupa também o fato de que no novo Plano Diretor não
existe a indicação de nenhuma área de proteção ambiental além daquelas chamadas
Áreas de Proteção Permanente (APP), obrigatórias por lei. Por exemplo, o único
remanescente florestal onde ainda encontramos plantas de Imbé (Philodendron
bipinnatifidum) que deram origem ao nome do nosso município, não estarão protegidas
de forma nenhuma. Isso representaria não só uma perda do ponto de vista ambiental,
mas também comprometeria a identidade histórica e cultural da cidade, cortando um
importante vínculo com seu passado. Esta área apresenta também outras espécies
ameaçadas de extinção e deveria ser preservada como uma Unidade de Conservação
municipal. Além disso, esta área é considerada no Zoneamento Ecológico-Econômico
costeiro (instrumento de gestão elaborado pelo Projeto de Gerenciamento Costeiro do
RS, do órgão ambiental estadual, FEPAM, em 2002) e tem como meta manter as
características dos ecossistemas, garantindo a preservação de sua dinâmica natural e da
paisagem característica. Neste sentido, o Plano diretor deve estar adequado a
este instrumento (“Diretrizes Ambientais para o Desenvolvimento dos Municípios do
Litoral Norte do RS”, disponível online: http://www.fepam.rs.gov.br/programas/zee/)Por
último, cabe salientar que, ao contrário do que vem acontecendo em todo o mundo, em
nenhum momento aparecem no Plano Diretor iniciativas que estejam em comunhão com
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS - ONU). A falta dessa visão onde a
integração entre bem-estar humano e conservação da natureza estejam sendo vistas de
forma conjunta pode trazer um prejuízo financeiro ao nosso município muito maior do que
se imagina. Levando em conta esses pontos acima citados e outros tão preocupantes
quanto, convocamos a população imbeense para que participe das audiências públicas
que acontecerão nos dias 8 e 19 de novembro de 2019 na Escola de Música Guaracyra
Ramos Kramer, localizada na avenida Nilza Costa Godoy, 440, Centro, às 19h


sábado, 2 de novembro de 2019

LORD, FOREVER





quinta-feira, 31 de outubro de 2019

PÉ NA BUNDA À HUNGARA


A vida de jornalista é sempre sujeita a sobressaltos. As demissões, justificáveis ou não, fazem parte da vida profissional de todos, e acabam sendo aceitas como algo inevitável. Eu próprio fui vítima de duas rasteiras inesquecíveis, e vivi e ouvi falar de outras tantas.
Mas os húngaros superaram tudo que eu já havia visto. Numa excelente reportagem de Rafael Cariello publicada na revista Piauí de abril de 2017 sobre as tropelias do governo direitista liderado pelo primeiro ministro Viktor Orbán, aquele que fechou com arame farpado as fronteiras do país para impedir a entrada de refugiados, Cariello narra, com riqueza de detalhes, o fim do jornal Népzabadság (A Liberdade do Povo).
Do fim do domínio comunista até 2006,  quando a Hungria foi governada pelos socialistas, o Népzabadság, de Budapeste,  era o mais importante jornal do país. Mas quando o governo foi derrotado pelo partido Fidesz, numa eleição marcada por denúncias de corrupção e irresponsabilidade fiscal dos socialistas, os novos dirigentes iniciaram uma campanha implacável contra todos os jornais e canais de tevê que ousavam criticá-los. 
Orbán, aluno aplicado do russo Vladimir Pútin e do turco Recep Erdogan, começou cortando toda a verba publicitária oficial e das estatais. Empresários amigos dos novos dirigentes passaram a receber privilégios, como contratos para obras em licitações duvidosas, e também eles direcionaram a publicidade para veículos simpáticos ao novo regime.
Abalado pela natural queda de circulação resultante da concorrência da mídia digital e pela perda de receita, o Népzabadság encolheu e passou a demitir jornalistas. Em 2014 a empresa que o publicava foi vendida para um especulador austríaco.  Dois anos depois começaram as especulações de que o novo dono negociava a sua venda. A angústia dos jornalistas e gráficos foi aliviada pela notícia de que uma nova redação estava sendo construída do outro lado do rio Danúbio, em Buda, e uma nova fase estava começando.
No dia 7 de outubro de 2016, uma sexta-feira,  depois do fechamento, os jornalistas foram instruídos a colocarem suas coisas em caixas numeradas, pois no dia seguinte uma empresa de mudanças levaria tudo para a nova redação, onde seria produzida, no domingo, a edição de segunda-feira.
No sábado mensagens começaram a circular entre os jornalistas com a informação de que era tudo mentira: o jornal não voltaria mais a ser publicado.
Alguns funcionários desinformados chegaram a ir até o novo prédio para trabalhar, mas foram barrados por seguranças.
O outrora crítico jornal húngaro havia sido vendido e, quando voltou a circular, mudou de lado - passou a apoiar o governo.  
Aos jornalistas restou o desemprego ou mudar de profissão.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

BASTA DE CAVALOS PUXANDO CHARRETES



Charrete elétrica, em Petrópolis, RJ (foto O Dia) 

Numa das primeiras vezes que estive nas Termas do Gravatal, SC, há mais de dez anos, caí na tentação de conhecer o lugar numa daquelas simpáticas charretes puxadas por cavalos.
Éramos apenas eu e minha mulher de passageiros, mas na primeira subida notei que o cavalo, magro, tinha dificuldades para aguentar o tranco. Perguntei se ele estava alimentado. "Quando largar vocês eu vou dar comida a ele", respondeu o cocheiro. Mandei parar ali mesmo, paguei a corrida e pedi que o alimentasse e deixasse descansar.
Desde então sempre que vejo este tipo de veículo lembro o episódio, e me dá uma pena danada ver os pobres bichos ali, parados o dia inteiro, esperando passageiros para mais uma corrida.
Em outras cidades turísticas os Promotores Públicos estão questionando a tração animal para transporte público - as charretes levam até seis passageiros, e não há qualquer controle das prefeituras sobre maus tratos e condições de "trabalho" dos cavalos.
Em Petrópolis, RJ, a Câmara de Vereadores aprovou um decreto proibindo tração animal nas charretes. Modelos com motores elétricos estão em testes. Em Campos do Jordão SP), tuc-tuc (motos adaptadas) estão substituindo os cavalos, mas ainda restam algumas. Em Aparecida (SP), onde fiéis usam charretes para ir do santuário até a porto de Itaguaçu, no rio Paraíba do Sul, onde os pescadores teriam encontrado a imagem de Nossa Senhora, a polêmica está criada, e uma outra solução está sendo buscada pelas autoridades locais e a a administração do santuário.
Basta de maltratar cavalos.





Charretes puxadas a cavalo em Gravatal /SC



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

TODOS SOMOS JAQUE



Um senhor grisalho, magrinho, notou minha impaciência com a velhota que, com gestos lentos, catava moedas na carteira para pagar as compras na caixa do supermercado.
- Já sei o teu nome: é Jaque!
Olhei para ele surpreso, e sem me dar tempo da abrir a boca, completou:
- Jaque. Já que estás aposentado, faz isso, faz aquilo. Todos nós, depois que paramos de trabalhar fora, ganhamos este nome. E como tem coisas para fazer, na nossa casa, na casa da vizinha viúva, das cunhadas, das tias entrevadas, da sogra. Eu era contador, agora virei eletricista, encanador, pintor, motorista, cozinheiro.
Concordei com ele, num sorriso solidário. Me lembrei de um amigo que um dia desabafou: se pelo menos pedissem uma coisa de cada vez...







segunda-feira, 21 de outubro de 2019

EM GRAVATAL, UM EXEMPLO PARA O SUS





Incomodado por uma tosse renitente, fui até a UBS (Unidade Básica de Saúde) das Termas do Gravatal (SC), onde passo uns dias, para tentar uma consulta com um médico. Cheguei às 11h e a secretária agendou a consulta para as 13h.
Voltei lá, e depois de ser cadastrado uma técnica de enfermagem mediu a minha pressão, temperatura, batimentos cardíacos e até nível de glicose, tudo normal. A seguir uma enfermeira me esperava para uma entrevista.
Dez minutos depois fui atendido por um jovem médico, que fez um exame clínico e receitou um xarope e um anti -inflamatório. Mostrei a receita para a atendente e ela entrou na farmácia (uma porta ao lado) e me deu os remédios.
A UBS tem dois médicos por turno, duas técnicas de enfermagem e uma enfermeira. Conta também com um consultório dentário completo, com um dentista por turno.





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