domingo, 16 de fevereiro de 2020

BRASIL NÃO VAI À GUERRA


O TRISTE FIM DO PORTA-AVIÕES SÃO PAULO





Em 1960, quando o porta-aviões Minas Gerais foi incorporado à frota da marinha brasileira, depois de quatro anos de reformas, o compositor/cantor/humorista Juca Chaves fez sucesso com uma modinha  que começava assim: " Brasil já vai à guerra, comprou porta-aviões, um viva pra Inglaterra, 82 milhões! Mas que ladrões".
O Minas Gerais se chamava Vengeance até ser comprado,  em 1956 da marinha britânica. 
Construído em 1944, já no final da Segunda Guerra mundial, estava em boas condições. Sua aquisição foi uma das marcas da era ufanista do presidente Juscelino Kubitchek, da qual a construção de Brasília foi o maior símbolo. Em 2001, depois de 31 anos de serviço,  iniciou uma longa viagem até um estaleiro da Índia, onde foi transformado em sucata.
No mesmo ano, o porta-aviões Foch, rebatizado de São Paulo, fazia a travessia do oceano Atlântico em sentido contrário. Comprado por apenas 12 milhões de dólares à marinha francesa, em três parcelas, o porta-aviões foi anunciado pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso- e saudado pela imprensa da época - como um ótimo negócio. Com quase 40 anos de serviço na marinha francesa, o navio-aeródromo foi um excelente negócio, mas para os franceses, como se viu nos anos seguintes. Eles se livraram de uma sucata de funcionamento caro e inseguro.
Ancorado no arsenal da marinha, no Rio de Janeiro, o São Paulo pouco navegou, apesar das várias reportagens produzidas pelas tevês, que deliciavam os telespectadores com as decolagens dos caças   Skyhawks comprados de segunda mão do Kuwait. Catapultados da pista do gigante de 33 mil toneladas, os aviões poderiam alcançar inimigos em qualquer ponto da costa brasileira - embora os maiores perigos estivessem lá do outro lado, nas fronteiras com os países sul-americanos, vulneráveis à ação de traficantes e contrabandistas.  
A euforia durou até 17 de maio de 2005. Uma tubulação da caldeira se rompeu e o vazamento matou dois marinheiros e feriu outros oito. Nos cinco anos seguintes, tubulações, catapultas, unidades de resfriamento e o sistema de propulsão foram reformados, a um custo de 100 milhões de dólares. Mas os problemas continuaram e os acidentes se repetiram - um incêndio, com um marujo morto e outro ferido, outro, com feridos. Apesar disto, a  marinha insistiu em mantê-lo na esquadra, mesmo inoperante desde 2014. Em 2017 foi tomada a difícil decisão de não gastar mais - foram 287 milhões de dólares em reparos e manutenção, além dos 140 milhões de dólares pagos à Embraer para a modernização dos equipamentos dos 20 Skyhawks, que, órfãos, passaram a operar em pistas terrestres.
Descomissionado - tudo que havia nele de valor foi retirado - o porta-aviões São Paulo  está à venda por 5,3 milhões de dólares. 
Preço de sucata.