
Para os homens, tudo é muito simples. Além de não terem que se submeter a torturas medievais como depilações e cortes de cutículas, passam ao largo da cruel ditadura da moda: cueca samba-canção ou sunga? Sapato preto de bico fino ou sapatênis? Jeans tradicional ou calça cargo? Tem tudo para todos os gostos e preços. Se o shortão comprado no verão passado ainda está inteiro, por que comprar outro?
Já as mulheres, tadinhas das mulheres!
Queiram ou não, gostem ou não, acabam se dobrando ao que determinam os estilistas. Pior: algumas das "tendências" atravessam os anos. As calças jeans com cintura pouco acima do púbis, por exemplo, encurtam as pernas e alongam o tronco, passando um visual estranho. São bonitas em adolescentes magrinhas, longilíneas, mas expoem ao ridículo todas as demais mulheres - as que têm cintura, uma barriguinha, quadris e aquelas curvas tão apreciadas pelos homens. Para muitas, o jeito é - como dizem os repórteres de tevê - andar de legging com um camisetão por cima e tênis. Horrívelmente feio.
Nesta estação, a "tendência" são os enormes óculos de sol tipo JO, usados por Jaqueline Kennedy/Onassis nos anos 60. Eles ficam bem em mulheres altas, de rostos grandes, angulosos, uma minoria no Brasil de morenas com estatura mediana e rostos finos. Baixas, magras, adolescentes ou maduras, todas as que usam os JO ficam parecidas, com lentes imensas tapando o rosto. Nas vitrines e até nas bancas de camelôs é inútil procurar um modelo adequado ao tipo físico de cada uma.
As bolsas femininas são cada vez maiores e pesadas, certamente para desestabilizar qualquer tentativa de caminhar elegantemente e, quem sabe, atrair olhares masculinos. Menos mal que a moda dos sapatos de sola pata de elefante, em que as coitadas mal conseguem se equilibrar, está passando.
Mesmo sem ser chegado em teorias conspiratórias, arrisco um palpite: nas últimas décadas está havendo uma articulação mundial para enfeiar as mulheres, deixá-las deselegantes, desglamurizadas, masculinizadas - Nelson Rodrigues já falava nisso em suas crônicas, no final dos anos 60. É só olhar os desfiles de moda: as modelos - sempre magérrimas, tristes - vestem modelitos grotescos, non sense, apreciados apenas por quem não gosta de mulher.
Gurias, vou dar uma sugestão: rebelem-se!
Não sejam vítimas da moda. Rejeitem roupas ou adereços que não favoreçam o tipo físico de vocês. Procurem até achar o que fique bonito, ou simplesmente não comprem.
Os homens agradecerão, e aplaudirão de pé.