IMBÉ/RS, 12/10/2009. Depois de quatro meses vazios, os quiosques da beira do rio voltaram a ter movimento.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
FERIADÃO
IMBÉ/RS, 12/10/2009. Depois de quatro meses vazios, os quiosques da beira do rio voltaram a ter movimento.
sábado, 10 de outubro de 2009
VENDEDORES DE ILUSÕES

Johnny - Cara, fechei um negócio da China. Vou emplacar meu segundo milhão (de dólares, hehehehe). Comprei baratinho mais uma área grande junto à Estrada do Mar para transformar em condomínio de luxo.
Johnny - Bobagem. Tou cercando a área com muros de três metros, e cavando lagos artificiais com retroescavadeiras. A areia que sai dali serve pra elevar o nível do terreno. Depois é só plantar grama e umas palmeiras pros otários imaginarem que estão em Palm Beach ou Jurerê Internacional.
Rudy - É, mas do outro lado da estrada tá cheio de malocas. Outro dia li num jornal uma reportagem sobre esta vizinhança. Os miseráveis vivem no meio do lixo, dos porcos e galinhas. Parece a Índia.
Johnny - Ora, deixa de ser ingênuo. Os meus clientes não tão nem aí para a maloqueirada, querem é poder acionar o controle remoto e abrir o portão para o seu refúgio. E não te preocupa com a mídia. Esta reportagenzinha que viste foi um acidente de percurso. Parece que a repórter quase foi pra rua por causa dela. Cada lançamento já prevê algumas páginas de anúncios coloridos, para, digamos, amortecer o espírito crítico dos jornalistas. Eles sabem que não devem se meter. Tem tanto outro assunto pra cobrir no veraneio. A moda de praia, por exemplo... gargalhadas...
Johnny - Golden Jail.
Rudy - Gostei! Vamos brindar ao teu segundo milhão.
Imaginei este papo enquanto esperava minha salada de frutas num café da Padre Chagas, a rua mais chique de Porto Alegre, observando dois caras sentados numa mesa próxima à minha. Haviam desembarcado de um New Beetle, fumavam charutos, pediram champanha importada e ficaram tentando, sem sucesso, chamar a atenção das mulheres que passavam mexendo nos seus um notebooks e celulares incrementados. Pareciam aqueles tipos que ganharam dinheiro fácil e depois tomam porres para comemorar os golpes de aplicaram nos trouxas. A cena dos dois me fez lembrar a paisagem do Litoral gaúcho onde brotam os condomínios "de luxo" - assim mesmo, entre aspas. Vender aqueles terrenos deve realmente ser um milagre da arte de marquetear/maquiar/enganar. Convencer alguém a pagar no mínimo 300 mil reais por um pedacinho de areia e depois gastar outros 200 mil (ou mais) para construir uma casa de veraneio longe do mar, cercada de muros e de vizinhos é algo admirável. Ou esta nossa classe média é mesmo otária????
domingo, 4 de outubro de 2009
ADIÓS, MERCEDES SOSA
"La Negra", com o compositor, pianista e maestro Ariel Ramírez, na gravação da Cantata Sudamericana, em 1972Mercedes Sosa, junto com Atahualpa Yupanki, é a face mais conhecida da riquíssima música folclórica argentina, que floresce na paisagem árida da pré-cordilheira dos Andes.
Graças a ela, nós brasileiros pudemos tomar contato com algumas preciosidades do folclore argentino, chileno, boliviano, peruano. Com vigor, talento e coragem, Mercedes desbravou a selva da ignorância e do preconceito até hoje existentes no Brasil em relação à América hispânica. Com sua voz forte, ao som do inseparável bombo legüero, pregava com convicção religiosa um continente com "fronteras de flores y fuziles de mentira".
O primeiro contato com a zamba, a baguala, a chacarera e outros ritmos da Argentina criolla, de raízes indígenas, foi uma porrada na minha cultura musical, até então limitada à MPB, ao rock e aos clássicos.
Em dezembro de 1971, aos 21 anos, parti para uma viagem pela América do Sul, junto com alguns colegas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nunca havia atravessado o rio Uruguai.
A primeira parada foi em Salta, cidade do norte argentino, junto à Cordilheira. Nos hospedamos na casa de Manuel Castilla, um dos mais importantes poetas e compositores do país. Era o período das festas de fim de ano, e passávamos os dias e as noites bebendo vinho, mascando folhas de coca e ouvindo os grupos musicais da cidade. Um banho de ritmos, harmonias e instrumentos musicais criados pelos incas, como a quena e o charango.
Desde então a música folclórica argentina ganhou um lugar de honra na minha alma. Tive a felicidade de ouvir Mercedes Sosa em shows inesquecíveis em Porto Alegre e no Memorial da América Latina, em São Paulo, assim como Atauhalpa Yupanki e outros mestres. Uma das maiores emoções que já tive foi assistir a Misa Criolla interpretada por seu compositor, Ariel Ramírez, com um coral de crianças vindas da Argentina. Um dos meus discos prediletos é Cantata Sudamericana, outra obra de Ramírez em parceria com Felix Luna, na voz de Mercedes Sosa.
Buenos Aires é linda, cosmopolita, quase européia. Impossível não gostar da cidade. Mas se me perguntarem para que região da Argentina eu mais gostaria de ir, respondo: Santiago del Estero, Tucumán, Salta, Jujuy. Lá sim bate forte, ao ritmo do bombo legüero, o coração argentino.
"Si la muerte me lleva
no será para siempre
yo revivo en mis coplas
para ustedes, para ustedes"
Da música Alcen La Bandera, de Ariel Ramirez e Félix Luna
Álbum Cantata Sudamericana
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
VARIG, VARIG, VARIG
Na década de 80, quando a Varig era a Varig e o Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa, o xodó dos gaúchos era ir para o Rio no vôo 100, que saía do aeroporto Salgado Filho às 11h direto para o Galeão. Aos sábados, todos os vôos 100 lotavam, e a Varig tirou um Boeing 747, conhecido como Jumbo (aquele com dois andares), usado apenas em linhas internacionais, para atender à demanda. Era uma festa. Tinha gente que ia ao Rio de Jumbo no sábado para passar o fim de semana no Rio e voltar segunda, no vôo 100. Ao meio dia estava de volta.
Naquele tempo (faz muuuuito tempo) as passagens de classe econômica em vôos nos horários de almoço e jantar davam direito a almoço ou jantar, acompanhados de aperitivos - uísques importados, acreditem - e as bebidas da preferência do passageiro - vinhos finos, inclusive. Na hora de comprar o bilhete, era oferecida uma opção de cardápio - filé de gado, frango, peixe, um prato vegetariano ou, para os judeus, kosher.
Entrei em férias num sábado de dezembro e embarquei num jumbo para passar uns dias no Rio e depois seguir para Porto Seguro. Meu lugar era lá no fundo do avião, e demorei a chegar, pois o vôo estava completamente lotado.
Me acomodei, apertei o cinto e acompanhei as instruções de praxe para emergências. As turbinas já zumbiam quando os alto-falantes clamaram:
- Senhor Clovis Heberle, senhor Clovis Heberle, queira se apresentar à comissária de bordo na porta dianteira da aeronave.
Vermelho como um pimentão, desafivelei o cinto, levantei e percorri o interminável corredor, sob os olhares de todos os passageiros. Até chegar lá na frente, fiquei imaginando de tudo, até a expulsão do avião por algum motivo kafkiano.
A comissária, linda e sorridente, me esperava com uma pergunta singela:
- Foi o senhor que pediu comida vegetariana?
***
Quando os alto-falantes do aeroporto do Galeão anunciaram a última chamada para o embarque eu estava no bar da ala internacional, fazendo um lanche. Paguei a conta e saí às pressas para não perder o vôo.
O avião taxiava para decolar quando me dei conta de que havia esquecido a bolsa (daquelas de usar a tiracolo, onde levava tudo, dos óculos escuros às contas a pagar).
Chamei a aeromoça e pedi que o avião voltasse para eu recuperar minha bolsa no bar. Educadamente, ela explicou que isto não seria possível, mas que faria contato com o pessoal do setor de achados e perdidos para relatar o fato e passar os meus dados pessoais.
Pouco antes da chegada em Porto Alegre, quando eu já havia feito e refeito a lista de tudo que havia perdido, a aeromoça veio me dizer que a bolsa fora achada por um turista suíço e seria enviada para o meu endereço. Três dias depois ela chegou, num envelope de plástico lacrado. Não faltava nada.
****
Já fazia muito calor quando embarquei às 7 horas da manhã em Fortaleza para um vôo até Porto Alegre com escalas em Recife, Salvador, Rio, São Paulo e Curitiba. Logo que as portas foram fechadas os comissários de bordo distribuíram toalhinhas quentes de algodão embebidas em água perfumada. Sentado na terceira fila, observei que meus companheiros dos bancos próximos olhavam para as toalhas fumegantes, enroladinhas em forma de charuto, sem saber o que fazer. Provavelmente era a primeira viagem de avião deles.
Peguei a minha, abri e passei pelo rosto, a nuca e o pescoço. Delícia!
Imediatamente todos passaram a fazer o mesmo, timidamente.
Na decolagem de Salvador meus vizinhos já estavam relaxados. Eram colegas em férias. Conversavam animadamente, e não desgrudavam das janelas. Quando passou o carrinho com as bebidas - já era mais de dez e meia - pediram uísque. Esvaziaram os copos e pediram mais uma dose, e mais uma. Beberam uísque sem parar, até desembarcarem, bêbados e felizes, no Rio de Janeiro.
Continuei viagem, e depois da decolagem em Curitiba, zonzo com tantas escalas, resolvi fazer o mesmo que os nordestinos: pedi uísque. Bebi várias doses, até desembarcar, às cinco da tarde. Bêbado e exausto.
O belo jingle de Natal da Varig:
https://www.youtube.com/watch?v=4RVQnYxhvKg
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
PORTO ALEGRE VISTA LÁ DO ALTO
VISTA LÁ DO ALTO
Aquela mancha verde no meio do mar de edifícios é o Parque da Redenção, ou Parque Farroupilha, o Ibirapuera de Porto Alegre, visto do 10º andar de um edifício da avenida Independência.
O local foi doado à cidade em 24 de outubro de 1807 pelo governador Paulo José da Silva Gama "para os utilíssimos e necessários fins de conservação de gados que matam nos açougues desta vila". Uma cláusula do contrato estabelecia que a área não poderia ser alienada sem expressa autorização de Sua Alteza Real, Dom João VI. Essa cláusula foi que salvou o atual Parque Farroupilha.
O campo se localizava próxima ao portão de entrada da cidade (à direita, na foto, onde hoje existe a Praça do Portão). Abrigava os carreteiros que comercializavam o gado da região. Era chamada de Campos da Várzea do Portão e, depois, Campo do Bom Fim face a proximidade da Igreja do Nosso Senhor do Bom Fim e das festas que ali se realizavam.
Em 1826 foi Dom Pedro I que impediu o loteamento e venda do da área, com o argumentode que se tratava de local para exercícios militares.
Algum tempo depois a área serviu de cenário ao movimento pela libertação do escravos, sendo denominada de Campo da Redenção. Em 7 de setembro de 1884 a Câmara propõe a denominação de Campos da Redenção em homenagem a libertação dos escravos do terceiro distrito da Capital, registrando vitória da luta abolucionista que resultou na redenção de centenas de escravos um ano antes da libertação dos sexagenários e quatro antes da libertação geral do país.
Esse nome permanece na memória dos Porto-alegrenses até hoje. O primeiro ajardinamento ocorreu por ocasião da Grande Exposição de 1901, no vértice próximo a atual Praça Argentina. Nesta época ja existiam na área do Parque a Escola Militar (1872) e a Escola de Engenharia (1896). A valorização do espaço proporcionou a instalação de equipamentos, tais como corrida de cavalos em círculo, circo para touradas e o velódromo da União Velocipédica.
No início da década de 1930, na administração do Prefeito Alberto Bins, foi contratado o arquiteto e urbanista Alfredo Agache para elaborar o anteprojeto de ajardinamento do Campo da Redenção. No dia 19 de setembro de 1935 o Campo da Redenção recebeu a denominação de Parque Farroupilha. São 37 hectares de gramados, árvores e um lago.
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