sábado, 1 de dezembro de 2018

O QUE O JIPE E O FUSCA TÊM EM COMUM?

 Resistentes, com preços acessíveis, mecânica simples,  os dois estão entre os mais extraordinários veículos do século XX. O que mais o fusca e o jipe têm em comum? Ambos foram projetados e fabricados por decisão dos governos dos seus países de origem - a Alemanha e os Estados Unidos - , e depois fizeram sucesso  em todo mundo.



O fusca foi idealizado em 1933 pelo ditador alemão Adolf  Hitler. Ele queria um carrinho de preço acessível,  econômico, resistente, que acomodasse a família alemã média da década de 1930 - dois adultos e três crianças. Tinha que atingir uma velocidade de 100 km/h e ter motor refrigerado a ar, para que a água não estourasse o radiador quando congelasse com frio abaixo de zero grau.
Numa época em que muitos carros ainda eram parecidos a carruagens, com carrocerias de madeira, era um desafio e tanto. O projetista Ferdinand Porsche apresentou o modelo que mais se aproximava ao que Hitler, um apaixonado por carros, queria. 
Revolucionário para a época, com sua forma de besouro moldada em aço e motor traseiro transversal refrigerado a ar, o fusca sofreu muitos aperfeiçoamentos até que os primeiros protótipos começaram a fase de testes, quatro anos depois. Soldados da SS rodaram com eles milhares de quilômetros pelas estradas alemãs e os defeitos que apareceram foram solucionados. A produção começou em 1938, e só terminou em 2003, quando a montadora do México fechou. Foi o carro mais vendido da história.
No Brasil, a produção do fusca também teve o dedo do governo. Foi por vontade política do presidente Juscelino Kubitcheck, que apostou no apoio à indústria automobilística e na construção de rodovias para o desenvolvimento do país, que a Volkswagen instalou uma fábrica em São Paulo, em 1959, e se tornou  a líder em vendas no país. Nas décadas de 60 e 70 o fusca reinou praticamente sem rivais.  Tinha preços acessíveis, era econômico e resistente. Encarava tanto estradas asfaltadas quanto de terra. Qualquer família de classe média podia ter o seu carrinho usado.
Foi só na década de 80 que a Fiat, com seu Mille (depois de corrigir defeitos que arranharam a sua imagem), a GM com o Chevette (projetado pela sua subsidiária Opel, alemã, de onde veio também a linha Opala e depois Corsa e Astra) e a Ford, com o Corcel, passaram a dividir o mercado. A VW interrompeu a produção em 1986 depois de lançar o Gol (os primeiros modelos, com motor a ar, também tiveram que ser aperfeiçoados). Em 1993 o presidente Itamar Franco (de novo o governo...) pediu à Volkswagen que relançasse o fusca, mas a experiência durou apenas três anos. Ele já não competia, em preço, conforto e segurança com os concorrentes.



O Jipe ( Jeep) também foi projetado por exigência de um governo. Em 1939 a Alemanha iniciou a Segunda Guerra Mundial, e 1940 o exército dos Estados Unidos decidiu lançar uma concorrência para a construção de um veículo leve de transporte para quatro soldados, com tração nas quatro rodas, motor potente e mobilidade em qualquer terreno. 
A Willys foi a vencedora, mas os engenheiros do exército incorporaram alguns detalhes do protótipo de Ford. As duas fábricas foram contratadas para produzirem a enorme quantidade de veículos que a guerra exigia.  
O modelo foi um enorme sucesso na guerra, e depois dela a Willys conseguiu na Justiça o direito de produção exclusiva. Exportou principalmente para países do terceiro mundo. Na década de 1950 parou a sua linha de produção nos Estados Unidos, pois os jipes já não tinham mais serventia nas autoestradas norte-americanas. 
A fábrica foi trazida para o Brasil, e começou a produzir em 1952.  Os jipes Willys, e depois a caminhonete Rural Willys, fizeram um grande sucesso, especialmente nas regiões onde as estradas eram precárias ou não existiam. A montadora aproveitou a plataforma do jipe para produzir também o Aero Willys, com linhas suaves, apesar da rusticidade da mecânica e da suspensão. Mais tarde o carro foi reestilizado. Com suas linhas retas, parecia com um tanque de guerra. 
A Ford comprou a Willys em 1967 e até 1986 continuou produzindo o jipe, a Rural e o Aero Willys.  Também aproveitou a plataforma do jipe para lançar um carrinho que fez muito sucesso, o Corcel. Muito feio, mas bem confortável, resistente e econômico. Alguns ainda rodam por aí. 
Fusca e jipe. Duas histórias de sucesso. Com o dedo dos governos. 




Meu primeiro carro foi este fusca azul "calcinha" 1974.
Um bom companheiro de aventuras. 




Um comentário:

Unknown disse...

igual a cor do meu... Igualzinho, era um 1.500.