sexta-feira, 25 de julho de 2014

SEDA, A RAINHA DOS TECIDOS








Casaco e colete de seda, bordados, confeccionados na França no século XVIII. 
Em exposição no Museu Metropolitano de Arte
 de Nova York















Há quatro mil anos a seda é a rainha dos tecidos. Naturalíssima, delicada, forte, discretamente brilhante, suave, belíssima, enfim. Trajou reis e rainhas, esteve presente em todas as festas chiques ao longo dos séculos. Viu surgirem, decaírem e desaparecerem gerações de nobres, de burgueses, comerciantes, industriais. Sempre foi um símbolo de poder, de riqueza, de bom gosto.
O segredo da produção do tecido foi mantido em segredo pelos chineses até o período final do Império Romano, quando monges enviados pelo imperador Justiniano até os centros produtores da China trouxeram bichos da seda para Roma. Mesmo assim, por muitos anos a única forma dos europeus  conseguirem seda era trazê-la da China, uma aventura arriscada, cara e muito difícil.
Com a Revolução Industrial, no final do século 19, os tecidos de algodão e lã se popularizaram. 
No século 20 todos os lares de famílias de classe média tinham máquinas de costura, e havia  lojas de tecidos em todas as cidades brasileiras - pelo menos uma filial das Casas Pernambucanas.... 
A revista Burda, especializada em modelos de vestidos com as instruções de como costurar, era leitura obrigatória entre as costureiras e as donas de casa, muitas das quais faziam suas próprias roupas - os cursos de corte e costura faziam parte da educação das moças.
Esta realidade foi mudando com a facilidade de comprar roupas prontas. Mudou a forma de vestir da população. Alfaiates e costureiras tornaram-se cada vez mais raros e caros. Os tecidos sintéticos tornaram os preços ainda mais acessíveis, mas a seda natural mantinha o seu lugar como a preferida para vestidos de luxo. 
Nos últimos anos, as lojas especializadas em tecidos finos, têm fechado suas portas, mesmo em algumas capitais de estados.
 Em maio de 2014, a loja Phoenix, a única que restava em atividade em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento,  com atendimento personalizado e designer à disposição dos clientes, encerrou suas atividades. 
Uma pena: esta fênix não renascerá das cinzas.  




"Trabalhar com tecido de seda é como cultivar flores", dizia o costureiro parisiense Hubert de Givenchy. Nesta foto de 1982, publicada na revista National Geographic, Givenchy ajusta  a manga do vestido de uma modelo. 
Naquela época, pelo menos a metade dos vestidos de alta costura de Paris eram feitos de seda. 



A ROTA DA SEDA



Caravanas de mercadores transportavam os fardos de seda em caminhos difíceis e perigosos do interior da China até os países da Europa (traços em vermelho).  Apenas depois do século VII navegadores europeus descobriram rotas seguras para chegar pelo sul até onde hoje é o canal de Suez (traços em azul). 

O mapa é da revista National Geographic. 
Clique sobre ele para ampliá-lo.



*** Marco Polo (1254-1324) percorreu a rota da seda e, depois de viver 16 anos na corte do imperador mongol Cublai Cã (ou Khan), voltou para Veneza e narrou suas peripécias em
 O Livro das Maravilhas.   








E tudo começou com uma larva. Ela se desenvolve em amoreiras e escreta mais de um quilômetro de gosma que ao contato com o ar se torna um fio ultra-resistente, destinado a proteger a borboleta em seu casulo....
 O fio, trabalhado por tecelões, se torna o mais nobre dos tecidos. 



Algumas etapas da produção da seda já são feitas por máquinas, mas na essência a transformação dos fios em tecido não mudou muito desde que a imperatriz chinesa Si Ling Shi se deu conta de que podia tecer o filamento de um casulo de bicho-da-seda que havia caído de uma amoreira dentro da sua xícara de chá,
 2.700 anos a.C. 
  Metade da seda produzida no mundo ainda é exportada pela China. Uma das maiores distribuidoras de seda do mundo é a Liberty, de Londres, Inglaterra. O site:  http://www.liberty.co.uk



A SEDA NO BRASIL


Na foto acima do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba,  uma tecelã paranaense prepara os fios para a fabricação do tecido.  

O Brasil também produz seda. Quase toda vem de 29 municípios do noroeste do Paraná, onde mais de quatro mil agricultores plantam amoreiras e recolhem os casulos em pequenas propriedades rurais com área média de 2,5 hectares.  
Uma tecelagem de Londrina  recebe boa parte da produção. 
O restante é mandado para fábricas de São Paulo ou exportado, com o apoio do Instituto Vale da Seda, criado em 2009 em Maringá.   







A loja Phoenix, filial de Curitiba, 



 e a Kotzias, de Florianópolis, são das poucas lojas especializadas em tecidos finos ainda em atividade no Brasil.
 Uma festa para os olhos e a sensibilidade.    



segunda-feira, 14 de julho de 2014

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O ARRAIAL D'AJUDA ERA ASSIM

"Aqui no Arraial todas as noites são sábados e todos os dias são domingos". 


Na década de 1980,  o Arraial d'Ajuda era um lugarejo ainda rústico mas já charmoso o suficiente para atrair aqueles brasileiros e estrangeiros que buscavam paz, alegria, belas praias e, por que não - muito agito. Afinal, era o auge da lambada/zouk, do reggae e do rock, nacional e internacional. 
 Arraial,  território de liberdade, onde "todas as noites são sábado, e todos os dias domingo".   Lugar para curtir cada momento, longe dos problemas políticos e econômicos do país. 
As fotos abaixo foram feitas por mim entre os anos de 1984 e 1990. 
Clique sobre elas para ampliá-las, e... 
 boa viagem! 



Em 1984 Porto Seguro  era uma cidade pequena, bonita, acolhedora. Ainda não tinha vôos comerciais - viajava-se 18 horas do Rio de Janeiro ou 24 horas de São Paulo para chegar. 
Mas ninguém reclamava...



A estrada da Balsa, quatro quilômetros de pó ou de barro


A igreja  de Nossa Senhora d'Ajuda, onde tudo começou.
 Em 1987 ainda havia um coreto junto à estátua do Cristo Redentor 


A praça Brigadeiro Eduardo Gomes. Ao redor dela foram construídas as primeiras casas do povoado




Frutas, verduras, legumes, à venda na praça, debaixo das árvores. 


As folhas de coqueiro e bananeira anunciam: hoje à noite vai ter lambada no Jatobar. Temperatura? 50 graus. Voltagem? 50 mil volts, ao som da banda Arrow, da ilha de Montserrat: "feeling hot, hot, hot"



O belvedere atrás da igreja, point ideal para uma foto (e agora uma selfie...)



Caminhões-pipa socorriam os moradores quando faltava água (quase sempre)


A boca da Bróduei, ponto de chegada dos visitantes. 
Antes do Fredo's, naquela esquina funcionava o Tropicana, onde rolava cerveja, caipirinha e rock'n'roll a noite inteira. 
 Na confeitaria Papalua, à esquerda, doces feitos por deuses. 







A Bróduei, alma do Arraial.  Música ao vivo, dança, encontros e desencontros, um mix de idiomas.
 Nos bares e restaurantes da rua rolavam Bob Marley, Fagner, Lobão, Gil, Alceu Valença, Zé Ramalho,  Raulzito, Led Zepellin, The Cure,  Titãs, Supertramp,  Santana, Stones, Dire Straits. 
O restaurante Chez Lampião era especial. Além da boa comida, havia discos de ótima qualidade que pouca gente conhecia. 
 Foi ali que ouvi pela primeira vez Phillip Glass, Spyro Gira e Stephane Grapelli.  




O campo de aviação, com sua biruta balançando ao vento, ainda era utilizado para pousos e decolagens de aviões pequenos. 


A rua do Campo



Lais na rua do Mucugê, o Caminho do Mar. 
À esquerda, a pousada Flamboyant, e mais abaixo o restaurante Manguti




Alameda dos Flamboyants, das  pousadas do Paulista,  Coqueiros,  Bemvirá,  Arraial Candeia e do restaurante Rosa dos Ventos 



A rua da Lapinha, onde ficava o bar "A Volta do Boêmio"


O bar do Pedrão



 "Síndrome de Ajuda" é  a definição do poeta, músico e escritor Ari Sobral, líder da banda Água de Coco, para a doença incurável que acomete uma pessoa que conhece o Arraial e acaba voltando lá para nunca mais sair. Isabel Orsini Lobato,  gaúcha, professora de história formada pela PUC/RS, foi uma "vítima" desse mal. Durante alguns anos, na década de 80, criava cangas artesanais, na sala de sua casa transformada em ateliê. Mais tarde fez concurso para professora estadual e até hoje passa conhecimentos de história - inclusive do Arraial - para os alunos do ensino médio.



 Guili, o argentino Oscar Alberto Duarte, espiando atrás do rapaz com o mico. Naquela época era companheiro da minha cunhada Isabel, com quem teve o filho Rodrigo, nascido em Porto Seguro.
 


O Arraial sempre atraiu  "malucos beleza" de todo tipo. Passavam lá uns tempos e seguiam em busca de outros paraísos - ou não.




Os cachorros merecem um capítulo à parte na história do Arraial. Tinham seus donos, mas eram de todos...


O cemitério dos primeiros moradores, bem no centro


O prazer de um dia na praia começa com a visão do mar


Na volta, a subida da ladeira e aquela sede. 



A praia do Mucugê...


e a da Pitinga, em 1984. Sem barracas, sem pousadas. 


 Um mergulho, pelado, no rio Taípe 


O riacho Mucugê


  A lagoa Azul 

O Arraial era assim. Muita coisa mudou, mas na essência, continua igual. 
Lindo, apaixonante, de alto astral. 
Um lugar único. 
A esquina do Mundo - de todo mundo. 






domingo, 22 de junho de 2014

ARRAIANA FM


MÚSICA PARA SEUS OUVIDOS

Para quem tem mais de 40 anos, é difícil ouvir duas ou três músicas na mesma rádio. A não ser, claro, que o gosto musical do ouvinte se limite ao pancadão, ao sertanejo universitário, ao hip-hop, ao funk. Em cidades maiores ainda existem as emissoras universitárias e as de fundações culturais, que tocam música clássica e selecionam o que vai ao ar. Mas em cidades do interior, com raras exceções, é impossível ouvir rádio. 
Pois lá no Arraial d'Ajuda, charmosa vila de Porto Seguro, Bahia,  a Arraiana FM só toca música boa. É uma emissora comunitária, com mão de obra voluntária, e os anúncios, a cada três músicas,  financiam a manutenção dos equipamentos e demais despesas.  
De manhã, a base é de música brasileira de qualidade. E dê-lhe Chico Buarque, Bethânia, Gonzaguinha, Marisa Monte. Não falta Ari Sobral com a sua banda  Água de Coco cantando o hino do Arraial. Toca até  o portoalegrense Nei Lisboa. 
Ao meio dia, Planeta Reggae. Depois, Gonzagão e a turma do nordeste - sanfona, zabumba, triângulo, forró. Nada mais natural, pois estamos no Nordeste. 
Ao longo da tarde muito rock nacional e estrangeiro, baladas, e, sempre, MPB.
Das nove às dez da noite, World Music. Das onze à meia-noite, blues e jazz, e na madrugada, só música leve, suave. É uma rádio que se ouve com prazer, dia e noite.

Quer ouvir também? Entra no site:

http://arraianafm.com.br/ouca.htm

A grade de programação:


7 as 8 todos os dias
Programa Amanhecer : Musica instrumental, clássica e relaxamento.
8 as 10 todos os dias
Programa Matinal : Músicas variadas, mais tranqüilas.
10 as 12 todos os dias
Programa O Som do Brasil: MPB, rock brasileiro e musicas atuais
12 as 13 todos os dias menos domingo
Programa Planeta Reggae
12 as 13 só aos domingos
Forró e axé antigos.
13 as 14 todos os dias menos sábado e domingo
Programa Samba, Choros e Bossas
13 as 14 sábados e domingos
Programa Samba e Pagode
14 as 17 todos os dias: Programa Tarde Musical
Musicas brasileiras e internacionais, novas e antigas
17 as 18 todos os dias
Programa Sessão Música Country : country americano e regionais brasileiras, tipo Almir Sater, Geraldo Vandré,Banda de Pau e Corda e outros.
18 as 20 todos os dias menos sábado e domingo
Programa Noite I : Músicas variadas agitadas.
19 as 20 sábados e domingos
Beatles Forever: Músicas dos Beatles cantadas por eles e por outros intérpretes.
20 as 21 todos os dias
Programa Seleção Forma: Músicas brasileiras e internacionais mais modernas.
21 as 22 todos os dias
Programa World Music: Músicas de vários estilos do mundo inteiro, inclusive da Índia, África, Arábia, etc.
22 as 23 todos os dias
programa Rock Vinil I: Rock brasileiro e internacional de 1980 pra trás.
22 as 24 só as sextas e aos sábados
Programa Rock Vinil II: Rock brasileiro e internacional de 1980 pra trás , porém só as músicas mais agitadas.
23 as 24 todos os dias menos sextas e sábados
Programa Blues e Jazz
00 as 7 todos os dias: Programa Ritmos da Noite
Mix com todas as músicas brasileiras e internacionais dos outros programas.

LOTUS, A FLOR DA PUREZA




Como é bela e delicada esta flor asiática,
símbolo da pureza e da renovação









sábado, 21 de junho de 2014

PORTO SEGURO, BAHIA


            O  passado no presente