segunda-feira, 30 de junho de 2014

O ARRAIAL D'AJUDA ERA ASSIM



Na década de 1980,  o Arraial d'Ajuda era um lugarejo ainda rústico mas já charmoso o suficiente para atrair aqueles brasileiros e estrangeiros que buscavam paz, alegria, belas praias e, por que não - muito agito. Afinal, era o auge da lambada/zouk, do reggae e do rock, nacional e internacional. 
 Arraial,  território de liberdade, onde "todas as noites são sábado, e todos os dias domingo".   Lugar para curtir cada momento, longe dos problemas políticos e econômicos do país. 
As fotos abaixo foram feitas por mim entre os anos de 1984 e 1990. 
Clique sobre elas para ampliá-las, e... 
 boa viagem! 



Em 1984 Porto Seguro  era uma cidade pequena, bonita, acolhedora. Ainda não tinha vôos comerciais - viajava-se 18 horas do Rio de Janeiro ou 24 horas de São Paulo para chegar. 
Mas ninguém reclamava...


Bem-vindo ao Arraial!


A estrada da Balsa, quatro quilômetros de pó ou de barro


A igreja  de Nossa Senhora d'Ajuda, onde tudo começou.
 Em 1987 ainda havia um coreto junto à estátua do Cristo Redentor 


A praça Brigadeiro Eduardo Gomes. Ao redor dela foram construídas as primeiras casas do povoado




Frutas, verduras, legumes, à venda na praça, debaixo das árvores. 


As folhas de coqueiro e bananeira anunciam: hoje à noite vai ter lambada no Jatobar. Temperatura? 50 graus. Voltagem? 50 mil volts, ao som do Arrow: "feeling hot, hot, hot"



O belvedere atrás da igreja, point ideal para uma foto


Caminhões-pipa socorriam os moradores quando faltava água 


A boca da Bróduei, ponto de chegada dos visitantes. 
Antes do Fredo's, naquela esquina funcionava o Tropicana, onde rolava cerveja, caipirinha e rock'n'roll a noite inteira. 
 Na confeitaria Papalua, à esquerda, os doces eram feitos por deuses. 







A Bróduei, alma do Arraial.  Música ao vivo, dança, encontros e desencontros, um mix de idiomas.
 Nos bares e restaurantes da rua rolavam Bob Marley, Fagner, Lobão, Gil, Alceu Valença, Zé Ramalho,  Raulzito, Led Zepellin, The Cure,  Titãs, Supertramp,  Santana, Stones, Dire Straits. 
O restaurante Chez Lampião era especial. Além da boa comida, havia discos de ótima qualidade que pouca gente conhecia. 
 Foi ali que ouvi pela primeira vez Phillip Glass, Spyro Gira e Stephane Grapelli. 
De todos aqueles lugares, o único ainda em atividade é o Geraes





O campo de aviação, com sua biruta balançando ao vento, ainda era utilizado para pousos e decolagens de aviões pequenos. 


A rua do Campo


Rua do Mucugê, o Caminho do Mar. 
À esquerda, a pousada Flamboyant, e mais abaixo o restaurante Manguti




Alameda dos Flamboyants, das  pousadas do Paulista,  Coqueiros,  Bemvirá,  Arraial Candeia e do restaurante Rosa dos Ventos 



A rua da Lapinha, onde ficava o bar "A Volta do Boêmio"



 "Síndrome de Ajuda" é  a definição do poeta, músico e escritor Ari Sobral, líder da banda Água de Coco, para a doença incurável que acomete uma pessoa que conhece o Arraial e acaba voltando lá para nunca mais sair. Isabel Orsini Lobato,  gaúcha, professora de história formada pela PUC/RS, foi uma "vítima" desse mal. Durante alguns anos, na década de 80, criava cangas artesanais, na sala de sua casa transformada em ateliê. Mais tarde fez concurso para professora estadual e até hoje passa conhecimentos de história - inclusive do Arraial - para os alunos do ensino médio.




O Arraial sempre atraiu  "malucos beleza" de todo tipo 



Os cachorros merecem um capítulo à parte na história do Arraial. Tinham seus donos, mas eram de todos...


No cemitério no centro o repouso dos primeiros moradores


O prazer de um dia na praia começava com a visão do mar


Na volta, a subida da ladeira e aquela sede. 



A praia do Mucugê...


e a da Pitinga, em 1984. Sem barracas, sem pousadas. 


 Um mergulho, à vontade, no rio Taípe 


O riacho Mucugê


  A lagoa Azul 

O Arraial era assim. Muita coisa mudou, mas na essência, continua igual. 
Lindo, apaixonante, de alto astral. 
Um lugar único. 
A esquina do Mundo - de todo mundo. 






54 comentários:

nancy arraial disse...

esses tempos antigos foram tão bons tive a sorte de conhece-lo...obrigado Clovis

Isabel Lobato disse...

Oi Clóvis lindo post, você retratou muito bem o Arraial daquela época, um lugar mágico, aldeia global de muitas histórias!!!!!!!! parabéns.

Natacha disse...

Como era bom! Éramos felizes e sabíamos disso! Um verdadeiro paraíso! Pena que tanta coisa mudou, o "pogresso" chegou... lindas fotos! Matei saudade!!

Clovis Heberle disse...

Isabel, Nancy, Natacha, os comentários de vocês me deixam muito contente. A idéia foi essa: uma pequena viagem ao passado. Pena que não fotografei uma noite no Jatobar ou os nativos jogando capoeira nos fins de tarde. Natacha, todo o Litoral brasileiro tem sido devastado pelos "empreendedores", do Oiapoque ao Chuí. É uma pena que não haja qualquer controle por parte dos governantes nem da Justiça. Aí em Ajuda ainda ficou preservado o essencial: a bela natureza e a alegria dos moradores. Beijos

Bi Mello disse...

Demais!
Obrigada por compartilhar!!!

Edson Chagas disse...

Viajei gostoso no tempo! Pena não ter aparecido nenhuma foto do "Jazzmania"...O berço do "capeta". Obrigado!

Anônimo disse...

VALEU CARA , AINDA CONTINUO AQUI DESDE 1976 ATE HOJE , E VOU CONTINUAR , ABRAÇO

clovis disse...

Edson, se tiveres uma foto do Jazzmania manda que eu publico, com o maior prazer.
e-mail:
clovis.heberle@uol.com.br

Crisna Carvalho disse...

Amei!!! Só faltou o bar do Pedrão!!!

Clovis Heberle disse...

Crisna, eu tenho uma belíssima foto do bar do Pedrão. Acabo de colocar. Valeu pela dica! Beijos!

Clovis Heberle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clovis Heberle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rozana disse...

Clovis, Belo registro de uma época.

Morei no Arraial neste período e fiquei emocionada ao ler o seu depoimento sobre os doces do Papalua, local onde trabalhei. :)

Anônimo disse...

Faltou a foto do Jorge papalua ele fez parte dessa historia. Viajei ao tempo com essas fotos e historia.Parabéns Clovis.

clovis disse...

Rozana, que legal poder te trazer boas lembranças dos tempos do Papalua.
Quanto ao Jorge, não tenho fotos dele nem do Maroto, do Pedrão e outros personagens do lugar. Uma pena.

Abraços!

Crisna Carvalho disse...

Vi agora o bar do meu pai!!!
Muito obg!!!!

Crisna Carvalho disse...

Vi agora o bar do meu pai!!!
Muito obg!!!

Sandra Rodondi de Godoy disse...

Valeu, Clóvis, voltei no tempo olhando suas fotos. Te agradeço muito. Belo arquivo.

Edson Chagas disse...

Clovis, entra no meu facebook: www.facebook.com/etchagas
Lá voce encontrará um album chamado "Arraial antigo". Te autorizo copiar qualquer foto que te interessar.
Abraços
Edson Chagas (Jazzmania)(Capeta)(Manguti)

Clovis Heberle disse...

Caro Edson, vou conferir. Valeu!!!

Clovis Heberle disse...

Oi, Sandra,

que legal que curtiste.

Beijos

Martha Rafael disse...

Valeu Clóvis, acompanho e vivo em Arraial desde esses tempos!! Amo esse lugar, é realmente mágico Carolina Ferreira

Claudio Bohrer disse...

Toquei muito rock nessa época na Broduei, Parracho, Casinhas, etc, com músicos de tudo que é canto. Bons tempos

Anônimo disse...

Parabéns pelas fotos... Não teria fotos das praia?

Clovis Heberle disse...

De praias tenho pouca coisa além do que está publicado - Mucugê, Pitinga e Lagoa A
zul. Abraço

Francesca disse...

Bom dia Clovis, sou italiana . Morei uma temporada no Arraial em 1990 y as suas fotos me matam de saudades (peço perdão pelo portugues...esqueci tudo). Naquela época fiquei ( e fui feliz) na Pousada do Cantinho, ubicada no "Central Park" . Acho que esse lugar não existe mais (o mais provável mudou o seu nome). Há muitos anhos busco noticias do antigo dono dessa pousada: Miguel, espanhol de Burgos, aproximadamente 65 anhos (não conheço o sobrenome).
Si você tivesse qualquer informação (e um e-mail, o um endereço postal ) sobre ele ficaria muito grata.
Obrigada pelas fotos...demolidoras.

Clovis Heberle disse...

Olá, Francesca,
que bom que gostaste das fotos. O Arraial deixa saudades. O melhor é que, mesmo mais sofisticado, continua muito lindo e acolhedor.
Não me lembro da pousada e nem conheci Miguel, mas vou ver se algum morador me dá uma pista. Para qual e-mail posso escrever?
Um abraço, obrigado pela visita!
Clovis

Anônimo disse...

Nossa... Sou nativo, meu avô foi o guarda campo! Obrigado Clóvis por me remeter a minha infância... Vi a casinha dos meus avós na praça São Brás... É... Eulina Batista Santiago e Manuel Crescêncio Santiago, que falta vocês fazem...

Anônimo disse...

Não sou anônimo, só não tinha a opção de nomes. Maxsuel Santiago

Clovis Heberle disse...

Que legal isso, Maxsuel!
Um abraço

ingrid disse...

Nossa viajei nas fotos...saudades de quando tudo era desse jeito. Era tão gostoso fazer o percurso de Porto até Arraial de balsa e dps de kombi. Gostava de ver o pôr do sol durante a travessia, me lembrando sempre ao som de Mil uma noite de amor, de Luiz Caldas. A visão detrás da igreja de Arraial é indescritível. Bom, escreveria um livro de tantas coisas boas! Obrigado por essas lindas imagens

Clovis Heberle disse...

Era bem assim, Ingrid. E quando chovia. a subida da ladeira era bem difícil - uma vez a kombi atolou e tivemos que descer, abaixo de chuva. Agota está bem mais fácil, mas o encanto da travessia continua o mesmo.
Um abraço!

Maresia. disse...

Oii Clóvis bonita homenagem sobre "'minha história"" e aqui no Arraial foram muitas histórias vividas,...E por ironia da história,rsrs....ganho a vida contando história para os meninos do Arraial no ensino médio, que na sua maioria nativos, também tem muita história para contar,... um abraço! Isabel

Maria disse...

Conheci em 1976 quando não havia nemhum bar, nada disso.
Só a igreja, o coreto e as casas "da Santa".
Só os nativos.
Visitamos e deixamos intocado aquele paraíso perdido - para sempre.

Maria disse...

Conheci em 1976 quando não havia nemhum bar, nada disso.
Só a igreja, o coreto e as casas "da Santa".
Só os nativos.
Visitamos e deixamos intocado aquele paraíso perdido - para sempre.

Unknown disse...

Chow de bola esse lugar eu morei em arraial da ajuda muito tempo lugar maravilhoso de mais

Walter Pereiro disse...

estive la em 76. anos depois em 80 trabalhando em salvador passei o carnaval em trancoso e fiz o projeto de eletrificação de trancoso em 81

Anônimo disse...

Que viagem nostálgica. Era isso mesmo. Tive uma pousada lá em 1986:" Olhar da Sereia".Era um tempo de muita festa de pousada em pousa, de bar em bar. Muito sax, Telonius Monk, Jean Luk Ponty, Sarah Vaughan.... Obrigada pelo belo presente.verasales@globo.com

Clovis Heberle disse...

Vera, eu passei uma semana na pousada, naquela época. Não tinha café da manhã, eu ia até o bar N.S.Aparecida, na bróduei, tomar café com leite e isto quente. Foram dias muito felizes. Obrigado pela visita. Beijos

Angelica disse...

Parabéns quem conheceu realmente jamais esquecerá.....lindissimo ttrabalho....e precisar posso contribuir com fotos tb....frequentadora desse 1993

Clovis Heberle disse...

Valeu, Angélica

Nuno Quadros disse...

Eu so cheguei em 92....Participei no Cineminha do Beco das Cores.Serei sempre um cidadao D Ajuda, abencoado por Joana da estrada da balsa.E nao tenciono ver mais escorregas e pavimentos nem nada.Ate nunca mais mas sempre da com a Santa da Ladeira.

Joselito Cardoso disse...

Muito bom, fui muito nesta epoca a Porto Seguro e Arraial D'ajuda, Broduei, Mucuge, Rio da Barra onde tinha um riozinho que caiano mar, que espero que ainda existe.

Vagner Beraldo disse...

Visite e curta o grupo do Facebook, "Água de Coco, a banda", formada por Ari Sobral, o menestrel do Arraial d'Ajuda e da Costa do Descobrimento.

https://www.facebook.com/groups/1376166449281688/

Anônimo disse...

Sdds

dominique duboux disse...

Oi Clovis,
Suas fotos do Arraial antigo são lindas e preciosas.
Moro no Arraial há muitos anos e estou fazendo com Eliana Waismann, especialista em video, uma reportagem sobre minha parteira, Dona Miuda.
A gente precisa de fotos antigas para mostrar as mudanças e ilustrar o que ela conta sobre o passado.
Será que você aceitaria "emprestar" suas fotos do "Arraial era assim" para inserir na reportagem?
Um abraço,
Dominique

Clovis Heberle disse...

Oi, Dominique!
"Empresto" as fotos, sim... Só coloca o crédito, na reportagem. Aliás, gostaria de vê-la, quando estiver pronta. Que boa ideia esta, de contar a história da Dona Miúda. Uma pena que não fiz uma entrevista com a dona Antônia, a benzedeira - deves tê-la conhecido.E a dona Teresinha, da Mangaba. Se tiveres alguma dúvida escreve para o meu e-mail: clovis.heberle@uol.com.br

E obrigado pelo elogio. O post sobre o Arraial dos anos 80-90 bombou!
Um abraço
Clovis

Unknown disse...

Clóvis, muito obrigado por dividir com o mundo este seu tesouro. Frequento o Arraial desde 1989, tendo visitado dezenas de vezes. É simplesmente mágico, meu segundo lar, o santuário onde curto verdadeiras férias. Faltam palavras para descrever o que sinto toda vez que lá retorno. Parabéns!!!!

Tati Marques disse...

Olá Clovis, adorei encontrar esse seu post. Estive em 86 em Arraial, fiquei num hotel que já não existe mais, na época era o único hotel na praia se não me engano, ficava um pouco antes da subida para a igreja, com uns chalés de sapê, parecidos com ocas indígenas e umas duas casinhas caiadas de frente ao mar, você se lembra de algum hotel por ali com essas características? Gostaria muito de lembrar o nome dele. Obrigada.

Clovis Heberle disse...

Tati,
Não sei qual é o hotel; vou procurar saber e te informo. Obrigado pela visita.

Dania Souza disse...

Nossa. Cheguei em Arraial justamente em 84, aos 4 anos, voltei agora à minha infância, amei.

Unknown disse...

Fui a primeira vez em Setembro de 84 junto com um espanhol e dois franceses. Ficamos 14 dias.
Praia,futebol,cocada com pinga na "Bróduei" e muita energia jovem pulsando e curtindo! Parabéns pelo trabalho!

Marco Fornetti disse...

Olá Clovis. Obrigado pela lembrança. Estive em Arraial em 1990
numa viagem inesquecível. Várias lembranças do Parracho e da "Bróduei".
Fiquei na pousada Manga Rosa. Me lembro também da Gorete que vendia
sanduíche natural na praia. Para minha surpresa, quando voltei a Arraial
em 2008 ela ainda estava lá !

Clovis Heberle disse...

Também ficamos na Manga Rosa, simples mas tinha tudo que se queria. Que beleza você ter curtido esta viagem de imagens do Arraial antigo. Abraço