domingo, 23 de julho de 2017

VIDA MANSA NO ARRAIAL D'AJUDA, BAHIA



A vida no Arraial da Ajuda tem seu próprio ritmo - lento e tranquilo, com exceção da temporada de verão, quando o lugarejo é invadido pelos turistas. 
A temperatura é aquela do paraíso - se é que ele existe - entre 20 e 30 graus, um pouco acima, um pouco abaixo.
Árvores, flores, passarinhos e borboletas por todo lado.
O sul da Bahia ainda tem muita mata nativa, e quase sempre chove, geralmente à noite.
Quem mora aqui não precisa de carro - uma bicicleta é o suficiente - pois tudo fica perto.  E para corridas mais longas há uma frota de mototáxis. 
Diversão não falta, para todos os gostos e bolsos. O mesmo vale para a gastronomia: há restaurantes self service de ótima qualidade, e as opções de cardápios vão da pizza ao sushi, do assado argentino ao bacalhau português - e à moqueca de peixe com camarão.  Os chefs quase sempre são do país de origem da comida - não faltam argentinos, italianos, portugueses, mineiros e... gaúchos, claro.
Pode-se andar sem medo pelas ruas, mesmo à noite. E a moçada vara as madrugadas  no Morocha, uma casa noturna onde a festa só acaba ao amanhecer.




 Mototaxistas à espera dos passageiros





Há muitas e variadas lojas, mercados e farmácias,  posto de Saúde,uma agência do Banco do Brasil e caixas eletrônicas da Caixa Federal e da rede 24 Horas.  



A balsa que atravessa o rio Buranhém para Porto Seguro faz parte da rotina dos moradores. Na sede do município estão as repartições municipais e estaduais, agências bancárias, lojas das  grandes redes e hospitais.


Nas ruas  do Arraial há cocos,  



 passarinhos exóticos,



muitas flores,



sombra,


e a praia é logo ali...





Leia também 
https://clovisheberle.blogspot.com.br/2014/06/o-arraial-era-assim.html

sábado, 15 de julho de 2017

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO, MAS....


 o astral da cidade, à beira do caos, já não é mais o mesmo. 
Os cariocas - por incrível que pareça - perderam aquela alegria, quase gabolice - que os tornaram únicos entre os brasileiros.
O turismo caiu muito, obrigando os hotéis a baixar os preços.
O policiamento na zona sul ainda é visível, mas não custa tomar cuidado, como em qualquer cidade grande. 

Boas novidades para quem não ia ao Rio há oito anos:
* O aeroporto Santos Dumont foi reformado e ampliado. Ficou confortável e adequado ao número de passageiros. Tem várias lojas, quiosques e cafés, e sua localização,  no centro da cidade, facilita (e barateia) a ida aos  bairros da zona sul.
* O metrô, limpo moderno,  com uma linha da Pavuna e outra da Tijuca até a estação da Central do Brasil. Dali  uma terceira segue até a Barra da Tijuca. 
Acabou aquela zorra de ônibus superlotados em disparada pela cidade.




Leblon, com o Vidigal e o Morro Dois Irmãos 





As ilhas Cagarras, em frente à praia de Ipanema


A pedra do Arpoador


As coberturas de Ipanema com as favelas do Pavão-Pavãozinho


 

A arborizadíssima avenida  Prudente de Morais






terça-feira, 4 de julho de 2017

TREPAR NUM COQUEIRO

NÃO É PRA QUALQUER UM...





Gilson Almeida, o Bigode, 50 anos, é jardineiro, mas a sua especialidade é trepar nos coqueiros para cortar as folhas e os cocos antes que caiam e causem algum estrago. 
É preciso muita coragem, músculos e equilíbrio para, apoiado numa peia, subir pelos troncos até lá no alto.  Com o vento, isto é ainda mais complicado, mas é nos dias ventosos que Bigode é mais solicitado pelos donos das pousadas, temerosos que um coco ou uma folha caia sobre um hóspede.




 Bigode com seus instrumentos de trabalho: a peia, usada para apoiar os pés e o corpo, e a peixeira, um facão comprido e afiado.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

LA MER















La mer
Qu'on voit danser le long des golfes clairs
A des reflets d'argent
La mer
Des reflets changeants
Sous la pluie


La mer
Au ciel d'été confond
Ses blancs moutons
Avec les anges si purs
La mer bergère d'azur
Infinie


Voyez
Près des étangs
Ces grands roseaux mouillés
Voyez
Ces oiseaux blancs
Et ces maisons rouillées


La mer
Les a bercés
Le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer
A bercé mon coeur pour la vie

 

O Mar

que se vê dançar ao longo dos golfos claros
tem reflexos de prata,
O mar,
reflexos mutantes
sob a chuva


O mar,
sob o céu de verão confunde
suas ovelhas brancas
com os anjos tão puros
O mar, pastor do azul
infinito


Vejam
perto dos charcos,
esses grandes juncos molhados
Vejam
esses pássaros brancos
e essas casas ferrugentas


O mar
embalou-os
ao longo dos golfos claros
e (ao longo) de uma canção de amor
O mar
embalou meu coração para a vida

Belíssima canção composta por Charles Trenet em 1943 durante uma viagem de trem pela costa francesa do Mediterrâneo

 

 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

VIAJAR













quarta-feira, 24 de maio de 2017

CIUDADANO ILUSTRE



A viagem de ônibus entre Petrolina, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia, durou toda a noite. Insone, fiquei matutando sobre os moradores dessas pequenas cidade e povoados do caminho. Meia dúzia de ruas iluminadas e o sertão por todos os lados. Como é que estas pessoas aguentam viver nesse brejos, longe de tudo? Quanta solidão, quanta tristeza.
Muitas curvas depois,  entendi. Lembrei de Três Passos, cidade onde nasci, perto da fronteira com a Argentina.  Nunca mais voltei lá desde que minha família se mudou para Porto Alegre, no início da década de 1960, mas me lembro do seu lema: "A Capital do Progresso". 
 Sim, os moradores dessas pequenas e médias cidades sentem orgulho do lugar onde nasceram, estudaram, trabalharam, casaram. Nos seus cemitérios estão os seus pais, parentes, amigos. Têm o maior carinho pelos rios e riachos onde pescam, pelos campos onde caçam.  Cada uma tem o seu prefeito, o padre, os médicos, os professores, as misses, os heróis. Todas têm os seus  pequenos escândalos, cochichados nos bares. 
Para seus moradores, lugar onde nasceram nunca é o fim, mas o centro do mundo - nem que fiquem a centenas de quilômetros de alguma capital e ostentem nomes exóticos como São João da Urtiga, Anta Gorda ou... Três `Passos.
O filme hispano-argentino "Cidadão Ilustre", dirigido por Gastón Duprat e Mariano Cohn, lançado em 2016, aborda o tema de forma genial. Um argentino nascido na pequena cidade (imaginária) de Salas, quase 700 quilômetros ao sul de Buenos Aires, não se conforma com a mesmice do lugar e aos vinte anos emigra, com a cara e a coragem, para a Espanha. Lá se torna um escritor, com histórias baseadas em personagens e situações de sua terra natal.  Faz sucesso, e, livro após livro, se torna mais conhecido, traduzido para diversas línguas, convidado para inúmeros eventos culturais. 
Já cinquentão, rico e entendiado, há cinco anos sem escrever por falta de inspiração, ganha o Prêmio Nobel de literatura. Faz um discurso quase desaforado, qualificando a homenagem como o atestado de que nada mais lhe resta na vida.
Dias depois, de volta à sua confortável casa de Barcelona, recebe um convite do prefeito de Salas, para onde nunca mais havia voltado,  para ir à cidade por quatro dias. Ganharia a medalha de Ciudadano Ilustre, a mais alta honraria do município.
O resto do filme é sobre a experiência, no início hilária - como o desfile num carro de bombeiros - e depois cada vez mais conflituada, com a cidade e seus moradores. Rico, famoso, cosmopolita, vaidoso, teve que se confrontar com a mediocridade, a pequenez e a agressividade dos alguns de  seus moradores.  
Uma bela história, um belo filme.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

UM EXEMPLO PARA OS HUMANOS




Grandes, pequenos, machos, fêmeas, de raça ou vira-latas, os frequentadores do cachorródromo do Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre, só querem brincar, correr, conhecer os novos frequentadores, reencontrar os antigos. 
Ficam soltos, sem guias, e não se vê brigas nem disputas.  Os papais e mamães sentam nos bancos ou ficam por ali, acompanhando os filhotes. 
Que belo exemplo para os humanos.