Cada praia do litoral gaúcho tem a sua personalidade.
As maiores - Torres, Capão da Canoa, Tramandaí - contam com serviços básicos como esgoto tratado e ruas pavimentadas, hospitais, lojas, cafés, vida noturna.
As médias - Arroio do Sal, Cidreira, Xangri-lá, Cassino - se orgulham de sua estrutura urbana e os bons serviços públicos proporcionados pelas prefeituras. As pequenas, como Atlântida Sul, Oasis e Mariluz, também exibem seus encantos: são limpas, acolhedoras, tranquilas, onde todos se conhecem.
Cada uma oferece aos veranistas aquilo que eles procuram - agito, sossego, ar puro, pescarias, convivência com familiares e amigos.
A praia do Quintão é o patinho feio. Órfã rejeitada pela prefeitura de Palmares do Sul, a que pertence, enfrenta toda a espécie de dificuldades, doze meses por ano. Nem mesmo em janeiro e fevereiro a administração municipal comparece para tapar buracos e capinar as sarjetas. Para chegar até a beira da praia é preciso desviar de poças de esgoto.
Atirados à própria sorte, sem ter um posto de saúde ou uma agência bancária, moradores sonham em emancipação ou pelo menos passar a pertencer ao município de Balneário Pinhal, ao norte, como a vizinha Magistério. Talvez aí o IPTU que pagam passe a reverter em seu benefício.
E aquela simpática praia deixe de ser o Quintão dos Infernos.
Esta é a principal avenida da praia do Quintão. A cada esquina os carros têm que parar e passar as crateras com muito cuidado, a no máximo dez quilômetros por hora. Entra verão, sai verão, e nada muda.
Mesmo sem chuva, as ruas calçadas - não são muitas - têm este aspecto.
Pior que a maioria das vilas miseráveis das periferias das cidades.