sábado, 21 de setembro de 2024

PARABÓLICAS, ADEUS



Antenas parabólicas na paisagem de um lugarejo próximo a Caraíva, na Bahia


Até 1986, quando as antenas parabólicas começaram a ser vendidas, os moradores das pequenas cidades ou dos vilarejos do interior do Brasil não tinham televisão.  A única forma de se manterem informados era o rádio de ondas médias ou curtas. Os bares, hotéis e pousadas foram os primeiros a instalá-las, e se tornou um hábito ver as notícias, as novelas e os jogos de futebol bebendo uma cervejinha no bar mais próximo. Em alguns vilarejos, como a Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte,  as prefeituras colocavam aparelhos de tevê na praça, onde os moradores viam novelas da Globo e o Jornal Nacional. Depois o aparelho era desligado e a caixa de madeira onde ficava protegido fechada. 

Aos poucos as antenas que permitiam ver a programação das redes de televisão se tornaram parte da paisagem dos mais remotos rincões do pais. Foi um avanço importantíssimo: com um custo relativamente baixo, passou a ser possível  se conectar com o que estava acontecendo no mundo e  ver os programas, as novelas e os jogos sem sair de casa.

Neste ano, acaba a era das parabólicas. Em dezembro o sinal analógico será desligado. A tecnologia 5 G precisa do espaço, assim como o das emissoras de rádio AM, que migraram para a FM. As velhas antenas terão que ser substituídas pelas digitais e se tornarão sucata.




terça-feira, 17 de setembro de 2024

O PINGUIM DO PINHAL

 

O Lico, vizinho no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, chegou lá em casa, numa manhã de primavera dos anos 70, com um novo amigo. Ele mesmo se apresentou: "Uóg, Uóg".
Era um pinguim, que ele havia recolhido na praia do Pinhal onde havia passado o fim de semana. Estudante de biologia, Lico cuidou do bichinho, que estava exausto e desnutrido. Ele seguia o Lico por todo lado, e a vizinhança já se acostumara aos "uóg" com que o pinguim se comunicava.
Mas Uóg não resistiu ao calor do verão. Deveria ter voltado, de carona com a corrente do Brasil, à Patagônia, onde reencontraria sua espécie para procriar e, no outono seguinte, vir de novo à costa do Brasil pela corrente das Malvinas, em busca de águas menos geladas e comida farta.
Me lembrei desta história ao ver "Meu Amigo Pinguim", um filme bonito e comovente baseado na história de um pescador da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, que encontrou na praia um pinguim coberto de óleo, cuidou dele. Se tornaram amigos, e, por oito anos, a cada outono, o pinguim percorria oito mil quilômetros para visitá-lo. Na primavera voltava para a Patagônia.


Ilha Grande, um dos lugares mais lindos do litoral brasileiro, onde o pinguim da Patagônia foi parar, coberto de óleo. Foi salvo por um pescador.


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

UMA RUA EM PORTO ALEGRE:DR.VALLE


Rua Dr. Valle, bairro Moinhos de Vento. À direita, a principal  hidráulica da cidade. O prédio do início do século 20 é tombado como Patrimônio Histórico.



terça-feira, 30 de julho de 2024

POR QUE POLUIR AS LAGOAS?



No fim da década de 1970 o governo de Santa Catarina anunciou a construção da Indústria Carboquímica Catarinense (ICC), para transformar o rejeito do carvão extraído na região de Criciúma em fertilizante e gesso. A ideia parecia excelente - o rejeito piritoso,  sobra do carvão depois de purificado, passaria a ser economicamente rentável,  além de proporcionar milhares de empregos. O local escolhido foi Imbituba, perto da lagoa de Imaruí.

Divulgado com grande destaque pelo governo, o projeto foi contestado por ambientalistas catarinenses pelos seus efeitos desastrosos no equilíbrio ecológico do sistema lagunar que vai de Laguna a Imbituba, um gigantesco criatório de camarões, com mais de 86 quilômetros quadrados, que deságua no mar em Laguna. A fábrica despejaria nas suas águas altas quantidades de ácido fosfórico e sulfúrico, letais para a vida marinha.

O assunto mereceu ampla cobertura da mídia, em especial do Correio do Povo, de Porto Alegre, então o jornal de maior circulação em Santa Catarina, com uma bem estruturada redação em Florianópolis. Brotaram protestos em todas cidades e vilas da região, pois a pesca e venda de camarão garantiam o sustento das mais de cinco mil famílias de suas margens. 

O projeto foi mudado: os efluentes foram canalizados até o mar, em vez de contaminar as lagoas. A fábrica foi privatizada dez anos depois, e hoje restam apenas ruínas dos prédios.

Mais de quatro décadas depois, a Corsan acelera a construção de estações de tratamento de esgoto (ETEs) em cidades do Litoral gaúcho. Aguardado com ansiedade pela população, o esgoto tratado é um direito básico. Por motivos diferentes, construtoras também pressionam a empresa, agora privatizada, a concluir suas ETEs, pois assim os Planos Diretores poderão ser alterados para que seja liberada a construção de edifícios. Xangri-lá e Imbé são dois municípios na mira dos empreendedores. 

Assim como no caso da ICC, o problema é que os projetos em andamento preveem o lançamento dos efluentes tratados nas lagoas que vão de Tramandaí até Capão da Canoa.  Em releases publicados na imprensa gaúcha, a Corsan garante que o líquido é limpo e não causará qualquer dano às águas - única fonte de água potável dos 18 municípios da região. Mas os estudiosos no assunto contestam esta afirmação. E há um exemplo:  em Osório uma ETE da Corsan foi fechada por ordem da Justiça em 2020 porque os efluentes estavam alterando a alcalinidade da água da lagoa dos Barros, onde eram despejados. As águas do oceano certamente absorveriam facilmente estes efluentes, sem causar danos ao meio ambiente. As lagoas localizadas entre a serra e o mar,  no litoral norte do RS, um ecossistema frágil, agredido por esgoto das cidades e pesticidas das lavouras


O rio Tramandaí, perto do ponto onde uma tubulação vai despejar os efluentes da ETE de Xangri-lá, pelo projeto da Corsan.




domingo, 21 de julho de 2024

NA ESTRADA

 


Osório, RS, com o morro da Borússia ao fundo





quarta-feira, 3 de julho de 2024

IMBÉ, ANO 2111

sexta-feira, 14 de junho de 2024

CHEIRINHO DE MATO


 


Caminhar pelo mato, sentindo o perfume das plantas e o murmurar da água de um regato, é maravilhoso. Especialmente para quem passou a infância numa pequena cidade do interior.