segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

DOIS LADOS DA RESSACA

 




Imbé, RS

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

O EXEMPLO DA MONGÓLIA

Gengis Khan



 Espremida entre a China e a Rússia, com mais de 30 por cento de sua população de 3,7 milhões de habitantes composta de nômades, a Mongólia não é nem sombra do império mongol que sob Gengis Khan (ou Cã), ia da Polônia, ao oeste, até a Coréia, ao leste, da Sibéria, ao norte, até o Vietnã, ao sul.

Guerreiros ferozes, exímios cavaleiros, os mongóis governavam, no século XIII, 100 milhões de pessoas - um quarto da população da terra. A corte mongol nadava em ouro saqueado dos países subjugados. Com a morte de Gengis Khan o império foi dividido em quatro, e aos poucos se enfraqueceu com as disputas pelo poder entre as tribos.
Cublai Khan, neto de Gengis e governante do mais importante dos canatos, acabou transferindo a capital de seu império para Pequim. Fascinado pela cultura chinesa. adotou muitos de seus costumes e crenças, pois, ao contrário dos romanos, que tinham lingua e cultura próprias, os mongóis só sabiam guerrear. Menos de 140 anos depois de seu apogeu o império mongol acabou e seu território original foi tomado pelos chineses.
Desde 1945 é um país independente, mas vive à sombra da Rússia e, nas últimas décadas, da China.
Sempre penso na Mongólia, para onde viajei com Marco Polo no "Livro das Maravilhas", quando vejo o Brasil submetido a governantes que não valorizam a educação, a ciência e
a cultura - e não é apenas o atual. Povo inculto, em grande parte semianalfabeto, é presa fácil para enganadores internos e conquistadores externos.


sábado, 9 de janeiro de 2021

VERÃO 2021


 Barra do rio Tramandaí, Imbé - RS

domingo, 3 de janeiro de 2021

LIVRE ARBÍTRIO

Fiquei preocupado, assustado, ao ver tanta gente chegando para passar o final do ano no Litoral. Supermercados e farmácias lotados, praia cheia, quatro ou mais carros estacionados na frente de cada casa.

O que vai ser de nós daqui a duas semanas? Explosão de contaminados, hospitais sem vagas, gente chorando a morte de familiares diante das câmeras da tevês.

Hoje de manhã, no meu passeio de bike, vi as pessoas tão felizes por mais um belo dia, indo para a praia com suas cadeiras e guarda-sóis, que relaxei. Lembrei que existe o livre arbítrio.

Em vez de estarem em quarentena, lá em Canoas, Porto Alegre ou Tucunduva, elas decidiram vir para a praia, tomar banho de mar, comer churrasco com a familia e amigos, passar o reveillon bebendo nos bares.

O risco é delas. Tomara que possam voltar para suas casas com saúde.




Imbé, 10 horas de domingo, 3 de janeiro de 2021



terça-feira, 17 de novembro de 2020

A VINGANÇA DAS DONINHAS

 


Pequenos carnívoros de 15 a 35 centímetros de comprimento, as doninhas, furões e visons, da familia dos ustelídeos, são comuns no hemisfério norte. Excelentes caçadores, se alimentam de ratos e outros bichinhos, e se defendem bem dos predadores, às vezes maiores que eles. Mas com os homens, se dão mal.

Sempre foram caçados por seus pelos macios para a confecção de agasalhos, mas com a moda dos caríssimos casacos de vison, passaram a ser criados em fazendas.
Em vez de correr atrás de suas presas, vivem confinados em pequenas jaulas até o momento do abate. De nada adiantaram os protestos de defensores dos direitos dos animais, que na década de 1970 começaram a invadir desfiles de moda e vaiar os casacos de pele.
Não são os únicos animais a serem criados em cubículos e depois abatidos, mas os únicos cujo sacrifício serve apenas para satisfazer a vaidade humana.
A revanche deles chegou com a pandemia. Em abril deste ano, o coronavírus transmitido por doninhas infectou dois funcionários de fazendas da Holanda. Para evitar a propagação do vírus, 500 mil animais já foram mortos nos Países Baixos. Outros casos ocorreram na Dinamarca, maior exportador de peles do mundo. Lá, todos os 17 milhões de animais em cativeiro serão sacrificados. Surtos já foram detectados nos Estados Unidos, na Itália e na Espanha.
Em vários países, como a Alemanha, a criação de doninhas em "fazendas" já foi proibida. A própria Holanda havia aprovado uma lei para acabar com a prática até 2024.
O coronavírus pode apressar o fim desta crueldade.
Será - que ironia - a vingança das doninhas.

domingo, 8 de novembro de 2020

STAIRWAY TO...

 


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O DIA EM QUE CONHECI O ROBERTO

 Lidar com repórter - um bom repórter - é difícil. Ele contesta tudo, se acha o máximo, não quer perder tempo em assuntos que não vão render manchete. É turrão, marrento.Lidar com repórter à distância é mais difícil ainda. Ele pode inventar qualquer desculpa para furar uma pauta e ir a um bar beber com alguma gata que conheceu.

Em 1978 não havia celulares, muito menos smart phones. A comunicação era por telefone ou telex, aquelas engenhocas que transmitiam textos. O diretor da sucursal de São Paulo da Cia. Caldas Júnior, José Damas, contratou o Roberto como repórter. Eu era responsável pelo setor nacional da Central do Interior (estranho, né?), e articulava as relações entre as redações dos jornais da empresa - Correio do Povo, Folha da Tarde e Folha da Manhã - com as sucursais de Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Roberto se revelou um repórter responsável, com texto final, que encarava todas as pautas, de uma entrevista com o presidente da Fiesp a acompanhar a recuperação de um cavalo do dr. Breno Caldas que havia fraturado uma perna e estava sendo tratado numa clínica paulista. Conversávamos diariamente por telefone, trocávamos ideias, nos tornamos amigos. Mas eu só conhecia a sua voz - e ele a minha.
Aos 28 anos, eu tinha cabelos compridos e usava calças jeans e tênis, como era usual na época. E era assim que eu estava quando fui apresentado a ele, em São Paulo. Nos abraçamos e
explodimos numa gargalhada que durou longos minutos.
"Clovis, eu pensava que você era velho, barbudo, daqueles que fuma cachimbo e pensam cada palavra que dizem", disse ele.
E eu: "Pô, Roberto, eu tinha certeza de que tu era um garotão cabeludo, barba por fazer, vestindo macacão e camiseta colorida." Acontece que o Roberto estava impecavelmente vestido, barba feita, cabelos cortados e... negro, negro retinto.
Quinze anos depois nos reencontramos num voo para a Espanha, com um grupo de jornalistas convidados para o lançamento de um automóvel. E demos mais gargalhadas, ao recordar aquele dia em
que nos conhecemos.