terça-feira, 27 de novembro de 2007

CASAS BAIANAS




sexta-feira, 23 de novembro de 2007

QUEM QUER COMPRAR?

Em setembro de 2006, dona Teresinha me contou que havia posto à venda a área onde mora e tinha pousada, situada num ponto valioso do Arraial. Já não tem mais idade para varar em claro as noites de sexta e sábado por causa da música ao vivo e da zoeira dos bares próximos. Há 20 anos passei uma temporada na pousada, a Mangaba (na foto, já desativada, em outubro de 2007), e a decisão daquela senhora me levou a escrever um artigo, reproduzido no post abaixo, para um site de ecologia sobre as mudanças (para pior) causadas pela especulação imobiliária, a ganância e a insensibilidade dos empresários, com a conivência do Poder Público. O artigo, publicado no dia 16/4/2007, continua atual, mesmo que com a valorização do real diante do dólar e do euro a ânsia dos investidores estrangeiros por comprar imóveis a preços de banana tenha refreado.
Até o início de novembro não havia aparecido comprador para a propridade de dona Teresinha...

DONA TERESINHA



Pousada Mangaba. Galinhas no quintal, chuveiro frio. 
 "O sol esquenta a água da caixa, meu filho", dizia a dona Teresinha aos hóspedes. 
Café da manhã no N.S.Aparecida ou no Fé em Deus.
Pouco conforto, muita felicidade. 
Arraial d'Ajuda dos anos 80. 


Final da tarde de sexta-feira. Dona Teresinha anda com seus passinhos rápidos com uma sacola na mão. Vai passar o fim de semana - mais um - na casa de uma filha, num dos bairros novos, habitados pelos nativos desalojados pelos paulistas, cariocas, gaúchos, mineiros e estrangeiros que compraram a maioria dos imóveis da área central do Arraial da Ajuda.
Assim como quase todos os outros moradores antigos, ela pôs à venda a sua casa e a pousada simples e confortável, com um enorme pátio gramado, ensombreado por mangueiras e cajueiros, localizada no Caminho do Mar, passagem de quem se dirige às praias. Vai viver a quilômetros dali junto de seus filhos, netos, parentes e amigos. Não aguenta mais a barulheira do vizinho Beco das Cores, onde a moçada se diverte em bares e restaurantes com música ao vivo ou eletrônica até o amanhecer. 

O Arraial ficou muito barulhento e sofisticado para ela.
Ano após ano, o paraíso descoberto nos anos 70 e 80 por jovens de cabeça feita, em busca de um lugar lindo e tranquilo para viver, se descaracteriza. A mata vai sendo substituída por construções, e as casas e pousadas avançam até limites inimagináveis para quem conheceu aquele lugar maravilhoso há duas ou três décadas. Empreendedores brasileiros e estrangeiros derrubam até os coqueirais que embelezam a faixa entre a falésia e o mar para construir condomínios fechados, residências de luxo e pousadas. Telhados substituem as copas das árvores. Os muros isolam a praia e tornam propriedade particular o que antes era de todos, sem qualquer controle. 

Enquanto as fontes de água potável se exaurem, aumenta a ameaça da contaminação do lençol freático. Nada detém os especuladores com seus dólares, euros e reais. Nos cafés, nos bares, nas ruas, em vez dos papos de viagens, de descobertas, de encontros e desencontros, cochichos sobre os melhores investimentos, os bons negócios.
O som do berimbau é cada vez mais raro. Os outrora orgulhosos nativos que enfeitavam as noites com os malabarismos da capoeira, agora ficam olhando, de longe, os turistas que lotam os bares e restaurantes, e o movimento dos carros que congestionam as ruelas. Na Bróduei, onde antes se concentrava a vida noturna do lugarejo, só o bar Geraes resiste. A Lagoa Azul é apenas o nome da barraca à beira-mar, construída antes da drenagem do riacho que caía em forma de cascata. Na praia da Pitinga, uma baía de rara beleza, cada vez mais casas construídas no alto da falésia podem ser vistas da beira do mar.
Mas apesar dos malucos beleza fazerem parte do passado e o som do martelo seja mais ouvido que o da lambada, o Arraial da Ajuda é um dos mais fascinantes lugares do litoral brasileiro. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

LOST NO ARRAIAL


Eles chegam e, por uma razão ou outra, decidem ficar para sempre neste paraíso chamado Arraial d'Ajuda. 
Alguns conseguem trabalho, outros vivem de bicos, são artesãos ou têm rendas (mas nunca pergunte de onde vem o dinheiro...). Com os anos, eles se tornam parte da paisagem. Não dão importância para jornais e as notícias da TV são de um país distante da sua realidade. Tudo o que querem é curtir a vida numa boa. Suas roupas geralmente são exóticas. Cabeludos e barbudos, lembram os velhos hippies. Quem chega da "civilização" tem a impressão de estar diante de personagens da série Lost.

PERSONAGENS




MESTRE DA LAMBADA

João Lambadeiro, com Laís

LAVADEIRAS BAIANAS



Estrada entre o Arraial d'Ajuda e Trancoso, 1984


Estrada entre Porto Seguro e Santa Cruz de Cabrália, 1995